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BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



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CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


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AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







sexta-feira, 12 de junho de 2009

6. AMORES TRÁGICOS II

POEMA EXTRAÍDO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

Eram dois vizinhos que mal se olhavam.
Antes da amizade tornaram-se amantes.
Cotidianamente, sorrateiramente,
Amavam-se cegos, sempre e bastante.

Ela, recalcada; ele, possessivo.
Ela era casada; ele, professor.
O marido, homem calado e decente,
Suspeitoso dos perigos do amor,

Pediu à esposa em ímpar descrição,
Aquela Capitu entregue aos cafezais,
Que Virgília fosse com cara de Amélia,
Messalina seja sem se dar demais.

Depois se diria à boca miúda
Que, além do amante e do zeloso esposo,
Deveria haver um terceiro afeto
A presentear-lhe anéis e mais gozo.

Foi o que disseram testemunhas tantas
Aos policiais quando nefasto Eros
Armou-se de pedras, faca e combustível,
Cansado talvez de ser simples arqueiro.

Implorando um basta àquela vida dupla,
Ela quis findar a traição permitida.
E ele não aceitou ser o descartado.
Se alguém vai ceder, que seja o marido.

Ela, com a mesma dissimulação
Com que convencia o esposo permissivo,
Fez o amante crer que faria o outro
Dar fim ao matrimônio estável e lascivo.

Brindaram com risos e vinho barato
À paixão que agora era amor eterno.
Ele desejoso de levá-la ao céu,
Ela desejando conduzi-lo ao inferno.

E entregou-se toda pela última vez,
Após deu-lhe vinho com lexotan
E ele caiu frágil num canto da sala
E ela gargalhava, fútil cortesã.

Abriu-lhe o crânio com uma pedra aguda
E furou-lhe o peito que há pouco amara,
Alargou-lhe a boca com lâmina cega,
Incendiou o amado sem usar metáforas.

Arrastou o corpo para a noite escura
E a cada gemido do defunto amante
Ela com a faca já ensangüentada
Talhava-lhe o pescoço vociferante:

Eu não te avisei que o desejo acabou?
Por que não me ouviu sem usar artimanha?
Já que você não quer mais sair de mim
Eu extirpei você das minhas entranhas.

E o corpo sepultou numa cova rasa
Feita às pressas naquele cafezal
E ela confessou fria à polícia
Que apenas fora um rito de amor banal.

(David Bellmond / 26.09.08)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

7. AMORES TRÁGICOS III






PEDRINHO BLUES

Numa manhã de chuva
Eu me suicidei
E matei meu amor
Não matei, mas matei.
Se o amor não morreu
Quem morreu fomos nós
E morremos juntinhos.
Felicidade atroz.

Meus amigos não tinham
Uma palavra de paz.
Ela me abandonou,
Não me amava mais.
Eu já não suportava
Tamanha solidão
E me vi tresloucado
Com uma arma na mão.

Matei meu abandono,
Matei quem eu amava.
Nossos corpos velados,
Quanta gente chorava.

Mães, irmãos e amigos,
Parentes desesperados
Chorando sobre os caixões
De amantes desenganados.

Eu sempre fui sereno
E de riso absorto.
Eis-me agora gritando,
Ouçam a voz de um morto:
Se o amor mata a gente
Ou matamos o amor,
Melhor é não amar
E viver só em dor.

(David Bellmond / 07.09.99)


Obs.: Este poema foi escrito há dez, alguns meses após um grande amigo meu provocar uma tragédia (quase no sentido literário) em nome do ciúme que ele acreditava ser amor. Pedro tirou a vida da mulher que ele amava e depois se matou na praia de Camburi, em Vitória - ES, no dia 08 de junho de 1999, alguns dias antes do dia dos namorados. Perdi duas pessoas muito amadas no mesmo dia. Foram-se os dois e ficou o poema.

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


VALSA PARA GELMA

Quero,
Nesse dia de graça,
Sob o som de uma valsa
Te trazer de presente
Perfumes e sementes
Das flores mais coloridas.

Quero,
Nesse dia de vida,
Te cantar as canções
Que falam da caridade,
Do amor, da bondade
Que há nos corações
Dos Que amam a Jesus.

Quero,
Nesse dia de luz,
Garimpar diamantes
E enfeitar tais brilhantes
Com a luz do teu olhar.

Mas as flores com o tempo
Se desbotam e o perfume
Se evapora no ar;
As valsas e as canções
São esquecidas nos salões
Depois de se dançar.
E as pedras de valor?
Eu não tenho sequer
Um anel de camelô.

Quero,
Nesse dia sem par,
Te prestar homenagens
Com o meu coração.
Se aceitar de bom grado,
Trago em minha bagagem
Toda minha amizade
E meu amor de irmão.

Feliz seria
A cidade
Se pudesse
Nesse dia
Desejar felicidade
À menina dos seus olhos
Que surge em sua poesia,
E diante de tanta beldade
Nem enxergo os horrores
E as muitas atrocidades
Que enfeiam sua cidade,
Mas se hoje toda cidade
Te pudesse levar flores
Feliz seria
E diria
Para sempre feliz idade
E em dobro felicidade.

(David Bellmond / 12. 06. 09)

terça-feira, 9 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (1)


Obs.: Os poemas que seguem abaixo abordam o mais nobre tema na poesia desde que o homem aprendeu a lidar com a arte da palavra (didaticamente falando: a literatura). Óbvio que há outros autores ilustres que deveriam figurar aqui (como Camões e o "Amor é fogo que arde sem se ver", Castro alves com a sua "Teresa", Vinícius com seus sonetos, entre outros tantos), todavia dei preferência a poesias mais oportunas, a começar pelo poeta baiano "Boca do Inferno" e o "Pica-flor" que tanto sucesso faz desde 1600. Espero que as poesias lhe agradem. Caso contrário, escreva seus próprios poemas.


PICA-FLOR

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Metei a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.

(Gregório de Matos e Guerra)


Em tempo: Esses mesmos poemas podem ser lidos no blog de David Bellmond: www.davidbellmond.blogspot.com

segunda-feira, 8 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (4)






POR QUE NÃO DIGO QUE TE AMO

Só não te digo que te amo
porque você não me compreenderia
se eu dissesse que te amo
como amo minha poesia.

Se eu te disser o quanto te amo
pode querer me ignorar
porque sei que há muitos nomes
que já juraram te amar.

pai, mãe, irmãs, amigos e amigas
e outros que você ignora
carecem tanto do seu amor
por esta escura estrada à fora.

mas me contento em te ter por perto
e dividir sua atenção
com todo mundo que te implora
o seu olhar, sua compaixão.

(David Bellmond / 12.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (5)








DE QUE VOCÊ MAIS PRECISA



Você é aquele mulher
para quem um poeta qualquer
deveras conseguiria
fazer poesia.
Bastou que eu me lembrasse
Da beleza da sua face
E escrevesse esses versos
Escritos com meu apreço
E com clara dedicação
À sua aparição
Nesse meu mundo cinza.
Amante, amado ou marido
Sabem que o seu sorriso
Enfeitiça outros homens?
Quem sabe eles precisam
Redescobrir tudo aquilo
De que você mais precisa?

(Homero de Linhares / 25.11.08)

POEMA PARA NAMORADOS (6)




Obs.: A imagem acima veio no encarte da minha fatura da Riachuelo. Achei interessante reproduzi-la junto a um tema tão recorrente na poesia: O amor (ainda que de forma tão despudorada). O mestre Drummond mais uma vez mostra seu brilhantismo na arte da lira e do erotismo. Apesar de tanto atrevimento, os versos são perfeitos com decassílabos italianos num soneto bem acabado. Rimas, sons e imagens de um grande poeta.








NÃO QUERO SER O ÚLTIMO A COMER-TE

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.


(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 7 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (7)






UM PEDAÇO DO SEU SER

Não quero mais sentir saudades de você.
O que eu quero mesmo é viver
ao seu lado os dias que me restam
nesta vida que já não presta
se não for pra lhe amar.

Não quero mais lhe telefonar
e planejar momentos passageiros
e ficar o dia inteiro
só sonhando com o que vem.
Senhorita, seu amor me convém

Como convém a um barco pelas ondas velejar.
Eu sou o barco e você é o mar.
Não quero sentir mais essa fome
Que sinto de gritar seu nome
E beber do seu olhar.

Acho que preciso de você
No meu dia-a-dia a todo instante.
Não quero mais ser o seu amante,
Eu quero ser doravante
Um pedaço do seu ser.


(Homero de Linhares /07.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (8)




O AMOR SECRETO É COMO UM RIO ESCURO


O amor secreto é como um rio escuro
no qual mergulhas sem saber se emerges
e quanto mais fundo mais nos fascina
e esse segredo nos mata e protege.

Tenho tanto medo do mar e amar
Que quero entrar no rio e o medo
Controla meu pulsar e minha vontade
De revelar a todos meu segredo.

O amor secreto é como um estranho rio
Em que me banho sem saber se posso
Lavar meu corpo sem correr o risco

De me sujar ainda mais nas águas
Que às vezes se travestem de prazer
E outras vezes se revelam mágoas.


(Homero de Linhares / 02.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (10)




SENHORITA KRÊURIS  (PARTE II)

Deu-me vontade de te ligar à meia-noite
E arrumar uma desculpa esfarrapada
Para ouvir a sua voz uma só vez
Mas tive medo de que um outro homem
Me atendesse e perguntasse quem eu era
E eu não teria coragem de esconder:
Eu sou um louco no meio da madrugada
Querendo apenas dizer à minha amada
Que eu não durmo de amor e de ciúme.

Nesses malditos e longos fins de semanas
Como eu odeio não te ver nem te falar.
Como eu te amo, Linda Senhorita K.
Deixa-me ser ao menos o seu bibelô.
Não necessita nem mesmo me dar amor
Basta me ter, basta me ouvir, basta me olhar.

(Homero de Linhares / 07.06.09)