SEJA BEM-VINDO!

BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



________________________________________________________

CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


_________________________________________________________

AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







Mostrando postagens com marcador David Bellmond.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador David Bellmond.. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de abril de 2011

UM MUNDO PERFEITO









UM MUNDO PERFEITO

Nas estradas de pó e de luz
Por onde seguem os nossos irmãos
Negros, todos negros perdidos,
De todos os cantos do Sudão,
Há uma trilha que vai dar no Nirvana,
Outra que vai para Jerusalém.

Na multidão escrava da fome,
Que encanto exerce o alfabeto?
Que matemática dominará
Àqueles negros desnudos, sem teto?
Só uma ciência lhes povoa a cabeça,
A de sonhar com um mundo perfeito.

(David Bellmond / in Vida Vide Verso)

terça-feira, 6 de outubro de 2009


DIA DO PROFESSOR ANTECIPADO


Em nome do progresso, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Espírito Santo resolveu mudar a comemoração do dia do professor. O dia 15 de outubro foi antecipado para dois dias antes. Prova do respeito que a SEDU tem pelos professores é que sequer os mais interessados foram consultados para saber se tal decreto seria aceito. Mais uma vez os tecnocratas, secretário e congêneres provam que, na educação, quem menos importa é o professor. Estupidez é acreditar que uma data já prevista no calendário possa ser modificada a bel-prazer das autoridades então no poder. Caros senhores ditadores de regras na educação, fiquem cientes de que, nós, professores, acatamos o que vocês determinam como ato institucional, mas não temos a mínima admiração e respeito por vocês. A visão retrógada de mundo ainda persiste e há quem pense que possa governar o mundo com mão de ferro. Eu, no entanto, luto pela liberdade, pela autonomia, pelo fim da cegueira da nossa sociedade. E sei o quanto isso desagrada a vocês. De uma coisa podem estar certos: meus alunos vão saber escolher melhor nossos próximos representantes e também aprenderão a repudiar a lei arbitrária imposta por eles.
Grande abraço e saibam que dedicarei meu dia 15 de outubro a vocês: com música de protesto, poesia e bate-papo acerca da opressão e da ditadura disfarçada de democracia.


(David Bellmond / 06 de outubro de 2009)

domingo, 26 de julho de 2009

E EU FIQUEI SÓ (1O)




ENQUANTO COMEMORAVAS

Minha dor espalhou-se pelos quatro cantos.
Eu estive doente e não pude chorar
Porque não houve alguém para me escutar
Nem para evitar o excesso do meu pranto.

Todos estavam de repouso ou em festa
Celebrando ou fingindo com champanhe ou vinho
E eu estava aqui sofrendo e sozinho,
Vivendo de remorsos da dor que me resta.

Estamos todos sós, mais uma vez eu cri.
Em meio à tempestade é cada um por si
E, se sobreviermos, seu braço amigo

Não terá sido auxílio nem serviu pra nada
Quando eu sentia frio em plena madrugada,
Pois sua voz amiga não estava comigo.

(David Bellmond / 26 de julho de 2009)

domingo, 28 de junho de 2009

MICHAEL JACKSON: UMA ABERRAÇÃO?

NÓS SOMOS TODOS ABERRAÇÕES NÃO ASSUMIDAS

“No futuro, todos terão 15 segundos de fama”
- Andy Warhol

As pessoas pintam o cabelo, fazem lipo, usam lentes de contato coloridas, furam o corpo para usar brincos, pearcings, gastam dinheiro de todas as formas para modificar a aparência.

Realmente, Michael Jackson era um aberração, diferente de todos nós, que somos meros mortais e nós contentamos com o que somos sem restrição. Difícil é explicar isso para a estupidez de muitos internautas que não conseguem sequer fazer uso da língua materna e se acham no direito de fazer brincadeiras, escárnios com aquele que mudou a cara da música Black no mundo. Outra coisa relevante: esses pobres internautas jamais sequer terão os cinco segundos de fama citados por Andy Warhol. Se aquele menino negro complexado, bonito sem se reconhecer bonito foi uma aberração por mudar exageradamente a sua aparência, todos nós, que não aceitamos algo em nós ou gastamos dinheiro para tornar nossas aparência mais agradável, também somos aberrações. Em menor escala que a de Michael Jackson, mas somos aberrações. Em tributo ao Pop star Michael Jackson, eu compus uma canção-poema e fiz uma versão, ambas tocáveis em violão. Seguem abaixo os dois, além de duas músicas dele cifradas para violão.

(David Bellmond / 26 de junho de 2009)

EU É QUE NÃO MUDO NADA EM MIM

CONFORMADO

D
Estou contente com o meu cabelo duro
Com a minha pele escura
Am
Sem meus dentes pra comer.
D
Não vou pintar o meu cabelo nem furar
Minha orelha para piercing
Nem brinco nem tatuagem
Am
Tenho mais o que fazer.

A
Minha barriga tá do jeito que eu gosto
Não reclamo de imposto
Em
E o governo está bom.
A
Sou brasileiro, sou um cara conformado
Se as coisas dão errado
Em
A culpa é do Sadam.

D
O Michael Jackson aquele nego metido
Querer ter embranquecido
Am
Ter cortado o nariz.
D
Eu não entendo se o mundo é perfeito
Aceitar-se desse jeito
Am
É que me faz ser feliz.

A
Nem abada, nem camisa de roqueiro
Nem cachaça nem maconha
Em
Vai mudar o que eu sou.
A
Bolsa de grife ou camisa de etiqueta
Todo mundo é careta
Em
E acha que se rebelou.

(David Bellmond / 26 de junho de 2009)


Observação: Carllo Carlos que se cuide, pois agora eu também sei fazer "música".

CAIA FORA / BEAT IT

CAIA FORA / BEAT IT

E D
Eles disseram: "nunca mais volte aqui",
E D
"Não quero ver sua cara, melhor desaparecer",
E D
O fogo está nos olhos E as palavras são reais,
E D
caia fora, caia fora,
E D
Melhor você correr, melhor fazer o que puder,
E D
Não queira ver sangue, Não seja um machão,
C D
Você quer ser brigão, então faça o que puder,
E D
caia fora, mas você é muito mau.


REFRÃO:
E D
caia fora, cai fora,
E D
Não queira ser um derrotado,
E D
Rindo e brigando, Mostrando que é forte,
E D
E se não importa quem está errado.
E D
Só caia fora, caia fora,
E D
caia fora, caia fora,

E D
Eles estão lá fora pra receber você,
E D
Não seja uma criança, Seja homem,
C D
Melhor ser um covarde e continuar vivo.
E D
Caia fora, caia fora!
E D
Não precisa dizer do seu susto e do seu medo,
E D
Brincar com sua vida não te faz um X-men
C D
Eles chutam e batem e atiram pra valer
E D
Caia fora! Eles vão matar você!

(Refrão)

(David Belllmond / versão de "Beat it")

sábado, 27 de junho de 2009

O POP STAR NEGRO







MICHAEL JACKSON – O MITO





Não existiu na música pop uma revolução tão constante e visível. Desde que a mídia projetou o fenômeno Michael Jackson, a música pop nunca mais foi a mesma. Nos anos 80, a minha geração ou as gerações anteriores não tinham ainda o hábito da apreciação ao vídeo clipe. Foi com o aparecimento daquele astro orgulhosamente negro que passamos a cultivar, ou mesmo cultuar, o artista, a música, a imagem via FM TV. Havia, no Brasil, até então, apenas um programa de televisão que correspondia ao nosso formato de endeusamento da música jovem. Depois veio a MTV e as similares. Tudo parecia ser uma reprodução das visagens do menino negro que se transformara num astro de primeira grandeza. A mutação já começara a acontecer na substituição daquele cabelo Black Power dos anos 70 para os cabelos encaracolados do jovem afro-americano que encantava meninas e obrigava mancebos do mundo inteiro a imitá-lo: jaqueta preta, calças apertadas, sapatilhas com meias brancas e a dança com movimentos quebrados nos salões de festas.
No meu bairro havia um rapaz que era tão apaixonado pelo mito MJ ao ponto de se vestir, andar e usar cabelo como o dançarino-cantor americano. Não demorou muito para que outras pessoas no bairro fizessem o mesmo. Eu sentia inveja desses adolescentes porque me faltava habilidade para imitar a dança frenética e erótica do momento. O ano era 1982, portanto a Ditadura Militar ainda inspirava pais e primogênitos a uma imposição cultural brasileira. Lá em casa não era diferente. Meu irmão mais velho me proibiu de ouvir as músicas Beat It, Billie Jean e Thriller (hits que mais tocavam nas rádios AM e FM de Oiapoque a Xuri). Meu irmão militar dizia que aquilo era música de doido; que ouviu falar sobre jovens que dançavam com a cabeça apoiada no chão; que e polícia prendera um grupo de rapazes vestidos como Michael Jackson e eram todos bandidos.
Eu era batista tradicional na época e tinha medo de assumir que o mito também me impressionava. Ganhei uma jaqueta preta. Dois amigos meus também tinham jaquetas pretas. Formávamos a turma dos Feras: eu, Paulo, Pedro, Quino. Uma amizade que duraria até os dias atuais se Paulo não tivesse ido para os Estados Unidos, Quino não tivesse virado polícia e Pedro não tivesse se suicidado. A amizade não acabou, mas nos afastamos muito depois que o rock nacional modificou a nossa forma de rebeldia. Certa vez, íamos a um culto na igreja batista e a polícia nos parou por causa das nossas vestes iguais ao do astro pop MJ. Roni também estava conosco e foi o que mais temeu que a polícia nos prendesse por causa daquela imitação barata de cultura norte-americana. Roni foi repreendido por mim e eu o tranqüilizei, dizendo que não tínhamos cometido nenhum crime. O policial mais carrancudo fez questão de me dar uma porrada nas costas e mandar que eu me calasse. A agressividade não foi suficiente para mudar meus costumes.
Hoje sei que Michael Jackson, de alguma forma, contribuiu para que eu elevasse a minha estima de negro que não se aceitava como tal. Ainda não consegui aceitar a perda como se ele fosse uma pessoa bem próxima, quase real, quase parente. Falem bem ou falem mal , todos falam do nosso pop star negro. Resta-me agora ouvir as canções que ficaram e que marcaram a minha adolescência como se ele não morresse nunca.

(David Belllmond / 25 de junho de 2009)


Observação: O desenho é de Kenedy Martins, que mora em Porto de Santana - Cariacica - ES.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

4. AMORES QUE FINDAM

CARTA SUICIDA A UM AMOR PERDIDO

Não se espante se um dia
Ouvir soar pela noite
Meu brado de agonia;
É que não causou efeito
Esconder dentro do peito
Toda dor que eu sentia.

Não se espante se acaso
Ouvir dizer que enlouqueci
Ou que me encontro entrevado;
É que minha vida sem você,
Sem sua voz, é tão normal
Que ainda vai me enlouquecer,

Não se perturbe se um dia
Alguém disser que eu morri;
É que a falta de quem amo,
Este espectral vazio de ti,
Matou todos os meus planos.

E é bem capaz que eu morra
Antes que eu fique louco,
Mas guarde mim um pouco
Pra que eu não morra de vez.

Não deixe que outros pensem
Que morri por ser covarde.
Morri porque te amava tanto
E nunca entendi seu alarde.
Descobri que sem minha amada
Minha cruz é mais pesada.
Pena que descobri tarde.

Pena que agora a distância
Aumenta paralela à dor.
Quanto mais sinto sua falta,
Mais te perco, meu amor,
E mais ainda o tempo passa.

(David Bellmond /12.06.09)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

7. AMORES TRÁGICOS III






PEDRINHO BLUES

Numa manhã de chuva
Eu me suicidei
E matei meu amor
Não matei, mas matei.
Se o amor não morreu
Quem morreu fomos nós
E morremos juntinhos.
Felicidade atroz.

Meus amigos não tinham
Uma palavra de paz.
Ela me abandonou,
Não me amava mais.
Eu já não suportava
Tamanha solidão
E me vi tresloucado
Com uma arma na mão.

Matei meu abandono,
Matei quem eu amava.
Nossos corpos velados,
Quanta gente chorava.

Mães, irmãos e amigos,
Parentes desesperados
Chorando sobre os caixões
De amantes desenganados.

Eu sempre fui sereno
E de riso absorto.
Eis-me agora gritando,
Ouçam a voz de um morto:
Se o amor mata a gente
Ou matamos o amor,
Melhor é não amar
E viver só em dor.

(David Bellmond / 07.09.99)


Obs.: Este poema foi escrito há dez, alguns meses após um grande amigo meu provocar uma tragédia (quase no sentido literário) em nome do ciúme que ele acreditava ser amor. Pedro tirou a vida da mulher que ele amava e depois se matou na praia de Camburi, em Vitória - ES, no dia 08 de junho de 1999, alguns dias antes do dia dos namorados. Perdi duas pessoas muito amadas no mesmo dia. Foram-se os dois e ficou o poema.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (4)






POR QUE NÃO DIGO QUE TE AMO

Só não te digo que te amo
porque você não me compreenderia
se eu dissesse que te amo
como amo minha poesia.

Se eu te disser o quanto te amo
pode querer me ignorar
porque sei que há muitos nomes
que já juraram te amar.

pai, mãe, irmãs, amigos e amigas
e outros que você ignora
carecem tanto do seu amor
por esta escura estrada à fora.

mas me contento em te ter por perto
e dividir sua atenção
com todo mundo que te implora
o seu olhar, sua compaixão.

(David Bellmond / 12.06.09)