SEJA BEM-VINDO!

BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



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CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


_________________________________________________________

AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







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domingo, 4 de dezembro de 2016

Belo Mundo
(David Batista ou David Bellmond)
Bellmond, tu sabes como é belo o mundo.
Por que insistes em rimar amar e dor?
Tua poesia é tão bela quando à lua,
Acho que a noite é tua amada e companheira.
É difícil encontrar a diva toda tua,
Mas o poeta é um fingidor a vida inteira.
Bellmond, tu és o dono de grandes riquezas,
Tens amigos sempre prontos a ouvir
Tuas histórias, teus amores, tuas queixas.
Tens um anjo que se chama Rafael,
Dele és herói e dele deves ser um bom exemplo.
Há outros anjos que te olham lá do céu.
Foge da sombra e da morte enquanto é tempo.
Bellmond, precisamos de um sorriso teu.
Não importa o que acontecer,
Não deixe a escuridão da noite te abater.
Bellmond, Belo mundo.
What a wonderfull world.
Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima; não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
Mais vasto é meu coração.
Carllo Carlos


domingo, 27 de setembro de 2009

POEMA DO LIVRO "VIDA VIDE VERSO"



























DESTINO OU DESATINO?

Procuro uma palavra
Dentro da noite, exata,
Pedra angular ou adaga
Que resuma com perfeição
Tudo vivido até então.

Há vozes na noite escura
E não são sequer anúncio
Da palavra que procuro
Pra resolver minha crise:
Deus, amor, felicidade
...Seja lá qual for a verdade.

Procuro no dicionário
Uma palavra singular
Que possa representar
Tudo o que quero dizer.

Busco em meu vocabulário
Uma palavra perfeita,
Sob medida, eleita,
Que me conceda poder
De expressar o que não tenho
Coragem de dizer com o cenho
Carregado de cansaço.
Palavra perdida no espaço.

Procuro uma palavra
Que desvende meu destino
Premeditado ou desatino
De poeta amante e só
Das palavras que ao meu redor
Não me aceitam como sou
E lançam-me à busca também.
Se não encontro a palavra,
Ainda a procuro...
Amém.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Vitória-ES: Editora do autor, 1999)


POEMA DE AMOR E ESPERA









































A ESPERA

Não sei de que sentido ela virá.
Eu passo o meu tempo com o olhar
Perdido nessa estrada que não para
de trazer e levar gente apressada.

A hora passa e estou acreditando
que esta minha espera vai passar.
O dia passa e estou esperando
O dia de não lhe ter que esperar.

Quando é que eu vou abraçar você
Sem saudade nos olhos por dizer:
__Até outro dia, meu amor.
__Responda Meus scraps, por favor!

Outro mês se passou e até quando
vou descontar os meses pra matar
esta saudade está me matando,
esta espera de desesperar?

O ano passa e já estou perdendo
a minha esperança de esperar
que passe a vida eu e ignore o tempo
em que esperei você pra mim voltar.

(David Bellmond / 26.09.09)

domingo, 30 de agosto de 2009

HITLER É QUE TINHA RAZÃO?




NAZI-FACISMO X IGNORÂNCIA

Na última sexta-feira, numa aula de literatura na minha escola preferida, eu incentivava os alunos a escreverem uma resenha sobre algum filme com tema sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre a estupidez maior do século passado (o Nazi-Facismo)quando um aluno, desses que frequentam aula vez ou outra, fez uma brincadeira sarcástica sobre os milhões de mortos por Hitler. Eu, em doze anos de magistério, numa havia presenciado uma cena parecida e me assustei. Para piorar a situação, eu lhe perguntei se ele preferia estar do lado dos assassinos nazistas ou do lado das vítimas judias e ele respondeu que sim. "Lógico que eu preferia (sic) estar do lado dos que mataram". Tive a pior das reações que já esbocei até hoje diante da ignorância humana. Mostrei-me irancudo com a opção dele de considerar a atitude de Adolf Hitler a coisa mais comum do mundo. Fiquei ainda mais possesso quando uma aluna, que também vai à aula quando bem entende, interrompeu-me e disse que eu tinha que respeitar a opinião dele porque todo mundo tem que respeitar a visão do outro. Tentei ainda explicar que Hitler não havia matado 6 pessoas ou 60 ou mesmo 600 judeus, porém mais de 6.000.000, ou seja, 6 milhões de seres humanos entre judeus, idosos, crianças, mulheres, homossexuais, negros, pobres, conforme se lê na wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Neonazismo). Portanto, considerar a atitude de Hitler como algo simples de ter uma opinião ou uma visão a favor dele não era somente uma prática de democracia, mas uma titude estúpida e ignorante acerca da História, da humanidade e do bom senso.


Minha explanação não sutiu êxito, até mesmo porque os dois, agora falando ao mesmo tempo, não me deixava explicar que a defesa de Hitler não era bem vista por 99,99999 % da raça humana. A aula virou um circo e eu era um dos palhaços no palco. Perdi toda a minha noção de bom senso também e afirmei que eles não precisavam de escola e que podiam aprender bem mais fora dela. É importante lembrar que eram alunos do terceiro ano do ensino médio e que já deviam ter estudado qualquer a respeito do Holocausto. Acho que não sirvo mesmo para ser educador, pois convidei os dois alunos a ingressaremn nas fileiras de neonazismo existente em todo mundo nas sombras da internet ou outra pocilga qualquer. A intervenção pedágogica não me deixou mais aliviado, já que a coordenadora do turno me repetiu a fala da aluna advogada, dizendo que eu devia respeitar a opinião deles. Ao retornar à sala de aula após o recreio, um aluno me perguntou se, caso o tema fosse a escravidão e esboçassem reação igual, qual seria a minha reação. Eu respondi que não chamaria o aluno de estúpido ou ignorante como fiz com os dois que defenderam o Holocausto. Eu lançaria a mesa de professor sobre a cabeça dele. Afinal, pensar que os negros, assim como os índios, apanharam, foram humilhados, trabalharam de graça, foram exterminados, e agora alguém dizer que aquilo era normal não me deixaria nunca mais voltar a uma sala de aula. O estúpido, o ignorante sou eu de querer que meus alunos aprendam a ser cidadãos conscientes em uma única aula de literatura.



(David Bellmond / Professor de Literatura/ 31.08.09)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

E EU FIQUEI SÓ (3)


Caro Senhor Diretor,

A minha dor

não é nada

se comparada

à dor de quem eu agredi.

Mas quem agride

também se fere

e de forma séria

eu me feri.





(David Bellmond, professor de Língua Portuguesa)

domingo, 26 de julho de 2009

E EU FIQUEI SÓ (4)


ENQUANTO COMEMORAVAS

Minha dor espalhou-se pelos quatro cantos.
Eu estive doente e não pude chorar
Porque não houve alguém para me escutar
Nem para evitar o excesso do meu pranto.

Todos estavam de repouso ou em festa
Celebrando ou fingindo com champanhe ou vinho
E eu estava aqui sofrendo e sozinho,
Vivendo de remorsos da dor que me resta.

Estamos todos sós, mais uma vez eu cri.
Em meio à tempestade é cada um por si
E, se sobreviermos, seu braço amigo

Não terá sido auxílio nem serviu pra nada
Quando eu sentia frio em plena madrugada,
Pois sua voz amiga não estava comigo.

(David Bellmond / 26 de julho de 2009)

E EU FIQUEI SÓ (6)


ENQUANTO COMEMORAVAS

Minha dor espalhou-se pelos quatro cantos.
Eu estive doente e não pude chorar
Porque não houve alguém para me escutar
Nem para evitar o excesso do meu pranto.

Todos estavam de repouso ou em festa
Celebrando ou fingindo com champanhe ou vinho
E eu estava aqui sofrendo e sozinho,
Vivendo de remorsos da dor que me resta.

Estamos todos sós, mais uma vez eu cri.
Em meio à tempestade é cada um por si
E, se sobreviermos, seu braço amigo

Não terá sido auxílio nem serviu pra nada
Quando eu sentia frio em plena madrugada,
Pois sua voz amiga não estava comigo.


(David Bellmond / 26 de julho de 2009)

domingo, 19 de julho de 2009

DIFAMAÇÕES E CALÚNIAS NÃO PODEM SER REPARADAS POR INDENIZAÇÃO ALGUMA


A MÍDIA MATOU MICHAEL JACKSON

 
Li um artigo da autoria de Paulo Nassar (paulo_nassar@terra.com.br) no site do Terra, e faço dele as minhas palavras. Quem matou Michael Jackson foi a mídia. Desde que surgiu a polêmica sobre pedofilia que jornal, rádio, TV e internet não pararam de crucificá-lo. E na esteira das más notícias e difamações, a população acredita em tudo que ouve, lê sem precisar ver ou sem precisar da prova dos nove. Somaram-se às acusações as tantas transformações físicas por que passou o astro pop e já foi o bastante para que a voz do povo (é a voz de Deus?) desse o veredicto sobre as mentiras espalhadas nos meios de comunicação. Alguns dias depois da morte (também explorada 24 horas por dia, 7 dias por semana), aparece o suposto réu da acusação de pedofilia e afirma que foi tudo mentira. De que adianta agora, morto e quase sepultado o rei da música pop negra, saber que ele era ou não pedófilo? Antes mesmo do bondoso rapaz desmentir as acusações que mataram Michael aparecer em cena, a mídia (talvez com peso de consciência ou talvez mesmo porque não era possível deixar de explorar ao máximo aquele que representou a transformação da Black Music) se redime e anuncia a cada instante uma novidade sobre o “monstro-aberração-pedófilo” que conquistou o mundo com suas metonímias (roupas, sapatos, passos de danças e voz).

Você, por acaso nunca ouviu notícia de alguém que teve sua vida destruída por uma falsa acusação? No ano passado, uma aluna minha de 13 anos alegou que se encontrava comigo fora do horário de aula e obteve o crédito de pedagogas, diretora e alguns companheiros de trabalho. O mais incrível é que a aluna e a sua família não deram prosseguimento à acusação de “pedofilia consentida por ela” (isso na versão da pueril aluna) e continuou a ser minha aluna. Eu desejei que a escola desse continuidade aos procedimentos corretos nesses casos porque (afirmei isso com todas as palavras às pedagogas, à diretora e àqueles que duvidaram da minha defesa), se eu tivesse uma filha de 13 anos que tivesse sido seduzida por um homem de mais de 30 anos, eu não o processaria, eu preferiria matá-lo com minhas próprias mãos. Perdoem-me a ira contida na minha declaração. É que, diante de tanta injustiça e falta de representantes sérios da justiça, polícia ou coisa parecida, às vezes dá vontade de agir com difamadores da mesma forma como agem os personagens de histórias em quadrinhos.

Mas como a vida é real (não somos Wolverines, Justiceiros, Batmans ou Peter Pans), acabamos por engolir as injustiças desse mundo cão. No entanto acredito que, ainda hoje, se houver alguma piada sobre pedofilia, alguma pedagoga que tenha estado presente naquele triste episódio se lembrará de mim. Tornou-se evidente que a aluna inventara aquela história de encontro fora da sala de aula para se vingar de mim deposi de ser expulsa da sala de aula por não querer agir como pessoa cumpridora dos seus deveres num ambiente de educação (aliás esse é o comportamento mais comum em sala de aula atualmente e que, infelizmente, conta com a conivência de pedagogos mal instruídos e leitores distorcidos de Paulo Freire).



DESEJO E REPARAÇÃO

Vi no cinema recentemente um filme que retrata uma triste história de difamação que culminou com a destruição de duas pessoas que se amavam. Desejo e reparação, baseado no livro homônimo de Ian McEwan, conta a história de uma menina enciumada com o namoro de sua irmã mais velha e que vê na calúnia uma possibilidade de se vingar daquele a quem ela amava, apesar da diferença de idade entre ambos. A acusação feita pela garotinha dá ao jovem futuro médico a condenação aos campos de batalha numa guerra que o devora. Ao mesmo tempo em que condena também a sua amada, irmã mais velha da menina acusadora, à uma morte precoce e longe do homem a quem ela amava.

Aqui, longe da ficção, essas coisas também acontecem afinal a vida imita a arte e vice-versa. Recentemente, no Terminal de Carapina, uma funcionária do sistema Transcol foi assassinada e o primeiro acusado do caso foi um marido revoltado com o caso homossexual que sua esposa mantinha com a mulher assassinada. O caso foi explorado pelos jornais por vários dias. Veja parte de uma das manchetes na época:

“Um homem de 27 anos está sendo procurado pela polícia como o principal suspeito de ter mandado executar a cobradora Claudinéia Seruti, de 29 anos, no último domingo na Serra. Robson de Oliveira Couto, que já tem passagens pela polícia por formação de quadrilha e tentativa de homicídio, é marido de uma mulher com quem, segundo as investigações, a cobradora teria tido ou manteria um caso. Em agosto de 2008, após descobrir o relacionamento extraconjugal homossexual da mulher, Robson teria agredido Claudinéia, que prestou queixa à polícia. "Robson, com ciúmes, agrediu ela. Na audiência, ele tentou um acordo e Claudinéia não topou. Depois, ofereceu dinheiro para ela retirar o processo. Ela também não aceitou", contou o secretário Estadual de Segurança, Rodney Rocha Miranda. A amante de Claudinéia, que é testemunha nas investigações e por isso terá o nome mantido em sigilo, confirmou à polícia que mantinha um relacionamento com a vítima e que o marido teria a agredido e ameaçado por conta disso.”
(http://www.folhavitoria.com.br/site/?target=noticia&cid=0&ch=08d0d1f65e7a4e7856bab37efa6550dc&nid=108629)


Dois meses depois, a polícia descobre que o assassinato ocorrera por outro motivo diferente daquele notificado pela mídia: não havia nada de caso homossexual que provocasse a morte da pobre cobradora execrada pela opinião pública (apesar de morta) e nem era o rapaz cuja foto aparecera em todos os jornais o criminoso. E agora? Quem poderá reparar esses enganos? Não se pode consertar uma acusação leviana feita contra qualquer que seja o cidadão. Indenizações não limpam a mácula deixada na biografia do acusado. Assim foi com esse jovem e assim sempre será. Além disso, não há sequer uma mínima retratação por parte da impressa, que na época publicou a foto do suposto marido traído e da cobradora assassinada, morta por ser homossexual. Confira o texto publicado na internet:

“Uma surpresa ao final do inquérito policial sobre o assassinato da cobradora Claudinéia Seruti, 29 anos, em abril, no Terminal Rodoviário de Carapina, na Serra. A linha de investigação de que a morte seria um crime de mando, por um suposto relacionamento amoroso, foi abandonada. A elucidação contou com duas testemunhas oculares e imagens do circuito do terminal. O acusado de matar Claudinéia seria Bruno Jesus Oliveira, 22 anos. Segundo testemunhas, no dia do crime, o acusado se aproximou da entrada do terminal e disse que pularia a roleta. A cobradora falou que ele não pularia, e os dois discutiram. Após o bate-boca, Bruno pagou a passagem e entrou no terminal. Cerca de 40 segundos depois, o suspeito voltou a cabine onde estava Claudinéia e efetuou o disparo. O crime foi registrado pelas câmeras de monitoramento do terminal. Nas imagens, o acusado aparece entrando na cabine. Depois de atirar contra a vítima, o suspeito saiu correndo com a arma na mão. Bruno teria voltado ao local, enquanto Claudinéia era socorrida. Segundo o titular da Delegacia de Crimes Contra a Vida da Serra, Josafá da Silva, o acusado está preso desde o dia 27 de abril. Ele foi detido por policiais chefiados pelo delegado Danilo Bahiense, em Maringá, na Serra.
Bruno possui passagens pela polícia por roubos e furtos. Segundo o delegado Josafá da Silva, o caso foi encerrado somente depois que a hipótese de crime passional foi descartada. "Investigamos todas as possibilidades. O que nos levou ao Bruno foram duas testemunhas oculares", afirmou. Uma delas, além de assistir ao crime, gravou um vídeo no celular, em que o assassino aparece no local do crime enquanto a cobradora era socorrida.

12 de abril

A trocadora Claudinéia Seruti, 29 anos, foi assassinada com um tiro no coração dentro da guarita da roleta do Terminal de Carapina, na Serra. O crime aconteceu por volta das 23h30, a poucos minutos do fim do expediente de trabalho. O suspeito da morte fugiu levando alguns trocados do caixa de Claudinéia. O assassinato trouxe revolta entre funcionários do terminal e motoristas de ônibus, que chegaram a paralisar as atividades durante horas para protestar. Durante a investigação, a polícia prendeu Robson de Oliveira Couto, 27, suspeito de mandar assassinar a cobradora. Ele seria casado com uma amante de Claudinéia. Robson foi preso pois havia um mandado de prisão em aberto por uma tentativa de assassinato atribuído a ele.
(http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/06/103547-reviravolta+no+caso+da+cobradora+morta+em+terminal.html)


VIDA LONGA À MÍDIA, À DEMOCRACIA, À JUSTIÇA HUMANA E SEUS REPRESENTANTES.

(David Belllmond / 04 de julho de 2009)


Entre a pérola e o poeta!

O POETA E A PÉROLA

 
Quando eu tinha 10 anos e estava na quinta série, uma professora ordenou que eu lesse “A pérola”, de John Steinbeck. Eu era de família muito pobre e minha mãe disse que, se eu quisesse ler aquele livro, teria que vender picolé na rua para comprá-lo porque a gente não tinha nem comida em casa direito. Arrumei uma caixa de picolé velha emprestada e juntei o necessário para comprar o livro. Acontece que, quando eu fui comprar o livro na antiga Livraria Âncora, de Vitória, vi um livro que me chamou a atenção pela capa. Era um tal de Hermann Hesse. Comprei o livro errado. A professora brigou muito comigo e disse que, se eu não lesse a pérola, faria recuperação. Voltei às ruas para vender picolé e dessa vez comprei o livro de Steinbeck, mas li primeiro o de Hesse. Li um conto que me impressionou demais: O poeta. Era a história de um poeta chinês (Han Fook) que passou a sua vida na busca da perfeição do uso da palavra. Fiz o resumo de “A pérola”, mas pedi à professor que lesse o que eu havia escrito sobre “O poeta”. Ela se emocionou e disse que adotaria aquele livro nos anos posteriores.

Desde então eu não consegui mais parar de escrever. De trabalhos mal-remunerados, eu consegui estudar o que mais me encantava que era a busca da palavra. Da quinta série ao mestrado em Literatura foi uma longa caminhada, mas durante todo trajeto eu escrevi coisas que espantaram a mim mesmo. Se eu não fosse tão orgulhoso e defensor da liberdade de se escrever aquilo que se quer, muitos livros meus estariam sendo vendidos e lidos por aí. O problema é que eu nunca consegui aceitar que podassem minha escrita ou me dissessem o que eu precisava escrever. Por isso rejeitei convite da Maçonaria para divulgação de um livro meu, assim como não aceitei que pessoas que conheci, e que viraram prefeito, deputado, vereador, publicassem livros meus. A poesia para o poeta, a narrativa para o narrador, é um pleonasmo, mas é ainda hoje a procura da palavra que me move como havia dito Drummond, conforme descobri mais tarde.

Participei de duas coletâneas de poetas capixabas, lancei meu primeiro livro com recursos próprios em 1999. Deixei de participar de várias coletâneas por não admirar a qualidade do que era publicado, apesar dos nomes relevantes da sociedade capixaba. Benilson Pereira me disse certa vez que influência e acesso ao poder são mais importantes que talento. Nunca concordei com ele. Acho que, por isso, me limito a escrever. Tenho mais de 10 livros prontos: crônica, narrativas, críticas, poesia, análises, minha dissertação sobre Drummond, que me serviu de moeda no mestrado. Mas não consigo ver a escrita como moeda de troca e sim como terapia. Uma terapia que vicia e é paradoxalmente uma doença.




(David Bellmond / 19 de julho de 2009)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

6. AMORES TRÁGICOS II

POEMA EXTRAÍDO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

Eram dois vizinhos que mal se olhavam.
Antes da amizade tornaram-se amantes.
Cotidianamente, sorrateiramente,
Amavam-se cegos, sempre e bastante.

Ela, recalcada; ele, possessivo.
Ela era casada; ele, professor.
O marido, homem calado e decente,
Suspeitoso dos perigos do amor,

Pediu à esposa em ímpar descrição,
Aquela Capitu entregue aos cafezais,
Que Virgília fosse com cara de Amélia,
Messalina seja sem se dar demais.

Depois se diria à boca miúda
Que, além do amante e do zeloso esposo,
Deveria haver um terceiro afeto
A presentear-lhe anéis e mais gozo.

Foi o que disseram testemunhas tantas
Aos policiais quando nefasto Eros
Armou-se de pedras, faca e combustível,
Cansado talvez de ser simples arqueiro.

Implorando um basta àquela vida dupla,
Ela quis findar a traição permitida.
E ele não aceitou ser o descartado.
Se alguém vai ceder, que seja o marido.

Ela, com a mesma dissimulação
Com que convencia o esposo permissivo,
Fez o amante crer que faria o outro
Dar fim ao matrimônio estável e lascivo.

Brindaram com risos e vinho barato
À paixão que agora era amor eterno.
Ele desejoso de levá-la ao céu,
Ela desejando conduzi-lo ao inferno.

E entregou-se toda pela última vez,
Após deu-lhe vinho com lexotan
E ele caiu frágil num canto da sala
E ela gargalhava, fútil cortesã.

Abriu-lhe o crânio com uma pedra aguda
E furou-lhe o peito que há pouco amara,
Alargou-lhe a boca com lâmina cega,
Incendiou o amado sem usar metáforas.

Arrastou o corpo para a noite escura
E a cada gemido do defunto amante
Ela com a faca já ensangüentada
Talhava-lhe o pescoço vociferante:

Eu não te avisei que o desejo acabou?
Por que não me ouviu sem usar artimanha?
Já que você não quer mais sair de mim
Eu extirpei você das minhas entranhas.

E o corpo sepultou numa cova rasa
Feita às pressas naquele cafezal
E ela confessou fria à polícia
Que apenas fora um rito de amor banal.

(David Bellmond / 26.09.08)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

DISCURSO DE UM NEGRO EM 2009




DISCURSO DE UM NEGRO EM 1888

Princesas, imperatrizes,
Meretrizes
É tudo igual.
Os negros já inventam o carnaval
Disfarçando a fome,
Enaltecendo o nome
De uma liberdade que ainda não veio
Da maneira esperada.
A abolição foi a espada
Que decepou o seio
Da mão negra que amamentava
Num canto da senzala.
O mulato, o negro esbranquiçado
Ainda mais se cala
Porque ser negro é ser rejeitado.
Ser negro é ser ex-escravo desempregado
Sem moradia e sem amor da nação
Construída pelo braço da escravidão.
E branco ainda vem dizer que Isabel é protetora
De negro. Santa redentora
Que não sabe o que é ter casa,
Ter refeição e escola como branco.
Ser negro é ser pássaro sem asa,
Sem gaiola e sem canto.

(David Bellmond /13.05.1988)

sexta-feira, 27 de março de 2009

TRIBUTO A RENATO RUSSO


OS BONS MORREM ANTES (27/03/60 – 11/10/96)



Dia 27 de março é dia de recordarmos do bardo romântico-realista-simbolista-moderno Renato Manfredini Júnior. Não sabe quem é? Certamente você já deve ter ouvido a voz vociferante ou melodramática em alguma canção de sucesso dos anos 80 para cá. Ou então já deve ter ouvido alguma composição cantada por outra voz da MPB. Esse é o nome de nascimento de Renato Russo, um dos maiores ícones da música punk-pop-rock-brega tupiniquim.

Ele foi o responsável por eu aprender a ouvir música italiana, Erasmo Carlos, Rappa, Raimundos, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Chico, Caetano e outros tantos grandes intérpretes e compositores nacionais. Foi ouvindo as suas canções que eu descobri a existência de poetas e pensadores como Rimbaud, Jung, Engels, Marx, Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar.

Em 1985, quando Renato Russo surgiu nas FM’s cantando “Será” com sua voz parecida com a de Jerri Adriani, eu tinha 17 anos. Era época da primeira versão do Rock in Rio e o nosso poeta legionário não estava lá entre os grandes nomes da MPBRock. Contudo não demorou para que a febre da “Geração Coca-Cola” invadisse as antenas de TV, as ruas, os bares, as escolas, os hospitais. Em quase todos os lugares, se cantava Legião Urbana.

Eu pensei que a música da Legião seria uma peculiaridade da minha geração. Enganei-me. Nas décadas vindouras, a arte de Manfredini Júnior continuou a conquistar legiões, ou melhor, multidões de fãs. Não há uma música daquelas épocas remotas que não tenha marcado alguma momento na minha, nas nossas vidas. “Baader Meinhof Blues” embalou algumas brigas nossas na pracinha (A violência é tão fascinante). Mas brigar pra quê? “Soldados” naquele tock em que ninguém pegava ninguém (Nossas meninas estão longe daqui). “Eduardo e Mônica” nas baladas e porres de fim de semana (Não agüento mais birita). “Os barcos”nas desilusões amorosas (Você diz que tudo terminou, você não quer mais o meu querer). “Vento no litoral” quando a saudade apertou (e o vento vai levando tudo embora). “Pais e filhos” quando nossas vidas começaram a ficar mais sérias (Meu filho vai ter nome de santo). “Esperando por mim” para recordar os velhos amigos (Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim).

Porém a mais triste de todas foi cantar “Love in the afternoon” às 10 horas da manhã do dia 11 de outubro de 1996. Foi com essa canção que eu aceitei que não haveria mais aquelas noites de euforia no Álvares Cabral e nem o retorno de madrugada a pé pela beira-mar junto com a turma cantando as mesmas canções. Renato Russo partiu.

Luz e sentindo e palavra.

E silêncio.



(David Bellmond / 25 de março de 2009)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

David Belllmond: Apresentação



QUEM É DAVID BELLMOND?


Bellmond é o psedônimo de David Batista. Ele foi meu professor no curso superior de Administração numa faculdade de Cariacica-ES. O que sei da sua história colhi nos nossos tantos diálogos nos intervalos entre as aulas. Aliás, um grande talento de David Bellmond é contar histórias entre uma aula e outra. Nós, alunos, meros ouvintes da sua arte de narrar, às vezes nos perguntamos se são ficções ou reais suas narrativas mirabolantes. Eu, que intecionava ser administrador de empresas, mudei minha vertente quando o conheci e devido à forma como ele falava apaixonadamente de sua arte das palavras, que também passou a ser minha. Após concluir o curso de Administração, passei a dedicar-me à leitura de grandes autores e à escrita de meus próprios textos. Sobre a sua biografia sei que David Bellmond, já na infância, apaixonou-se pela música e pela sonoridade das palavras. Descobriu a paixão pela Literatura ainda na quarta série do primário e, no ano seguinte, arriscou-se a escrever os primeiros versos e contos. A partir daí, buscou aumentar os seus conhecimentos sobre os mecanismos da Língua Portuguesa e das línguas estrangeiras. No ensino médio, na antiga Escola Técnica Federal do Espírito Santo, sem pretensão, ele estava sempre além das aulas expositivas do seu professor de Língua Portuguesa e Literatura. Na escolha do curso superior, viu-se entre a Engenharia (influenciado pela ETFES), o Direto (já que era apaixonado pelas causas sociais) e Letras-Português. Este falou mais alto que aqueles, pois, ao mesmo tempo em que poderia “ensinar” os segredos da língua de Camões, estaria sempre em contato com os livros, a poesia e grandes autores como Drummond, Guimarães Rosa, Machado de Assis e outros tantos.
Iniciou a carreira no Magistério lecionando Matemática para alunos que tinham dificuldade em aprender a disciplina nas aulas normais; depois deu aulas de Matemática e Química para uma empresária proprietária de uma clínica de estética. Ainda lecionou Química e Física para alunos da oitava série de uma escola pública e, diga-se de passagem, muito se orgulha que alguns desses alunos sejam professores depois de haverem ingressado na UFES. Leciona Língua Portuguesa, Literatura, Redação e Italiano desde 1997. Bellmond é apaixonado pela minha profissão e tem por objetivo despertar no aluno o gosto pela sua disciplina. Lançou um livro de poesia em 1999, de onde extraí seus poemas eróticos; gosta de violão, de boa música, de bons filmes e, cada vez mais, de bons livros. Terminou o Mestrado em Estudos Literários, na UFES, em 2005 e pretende, em seguida partir para o Doutorado em Literatura, Educação ou em semiótica.
P.S.: David Bellmond possui um blog de onde retirei sua caricatura e seus poemas eróticos. Eis o endereço do dito cujo:
(Homero Linhares)