1
Vamos celebrar a estupidez humana,
A estupidez de todas as nações,
O meu país com sua corja de assassinos,
Covardes, estupradores e ladrões.
Vamos celebrar a estupidez do povo,
Nossa política e televisão.
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado que não é nação.
Celebrar a juventude sem escola,
As crianças mortas,
Celebrar nossa desunião.
Vamos celebrar Eros e Thanatos,
Persephone e Hades.
Vamos celebrar nossa tristeza,
Vamos celebrar nossa vaidade.
2
Vamos comemorar como idiotas,
A cada fevereiro e feriado,
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais.
Vamos celebrar nossa justiça,
A ganância e a difamação.
Vamos celebrar os preconceitos,
O voto dos analfabetos.
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros.
Nosso castelo de cartas marcadas,
O trabalho escravo,
Nosso pequeno universo.
Toda hipocrisia e toda a afetação,
Todo roubo e toda indiferença.
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.
3
Vamos celebrar a fome.
Não ter a quem ouvir,
Não se ter a quem amar.
Vamos alimentar o que é maldade,
Vamos machucar um coração.
Vamos celebrar nossa bandeira,
Nosso passado de absurdos gloriosos.
Tudo o que é gratuito e feio,
Tudo que é normal.
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
( A lágrima é verdadeira ).
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.
4
Vamos festejar a inveja,
A intolerância e a incompreensão.
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada.
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso,
Nosso descaso por educação.
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão.
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.
5
Venha, meu coração está com pressa.
Quando a esperança está dispersa,
Só a verdade me liberta.
Chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera,
Nosso futuro recomeça.
Venha, que o que tem é perfeição.
(Renato Russo)
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domingo, 30 de agosto de 2009
VAMOS CELEBRAR A ESTUPIDEZ HUMANA
Perfeição
terça-feira, 14 de julho de 2009
EIS A POESIA (5)
L´Aventura (à Senhorita KRÊURIS)
Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos?
Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos?
Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria.
Não se pode fechar os olhos,
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro
E ser livre é coisa muito séria.
Não se pode fechar os olhos,
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro
Corri pro esconderijo e olhei pela janela.
O sol é um só, mas que sabe são duas manhãs
Não precisa vir se não for pra ficar
Pelo menos uma noite e três semanas.
Nada é fácil, nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto,
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero
E queremos fugir,
Mas ficamos sempre sem saber.
O sol é um só, mas que sabe são duas manhãs
Não precisa vir se não for pra ficar
Pelo menos uma noite e três semanas.
Nada é fácil, nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto,
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero
E queremos fugir,
Mas ficamos sempre sem saber.
Seu olhar não conta mais estórias,
Não brota o fruto e nem a flor.
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar.
Não brota o fruto e nem a flor.
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar.
Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar.
(Renato Russo)
A quem não sabe perdoar.
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais.
Não é desejo, nem é saudade.
Sinceramente nem é verdade
E eu sei porque você fugiu,
Mas não consigo entender.
E eu sei porque você fugiu,
Mas não consigo entender .
Só que não lhe quero mais.
Não é desejo, nem é saudade.
Sinceramente nem é verdade
E eu sei porque você fugiu,
Mas não consigo entender.
E eu sei porque você fugiu,
Mas não consigo entender .
(Renato Russo)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
EIS A POESIA (6)
ESPERANDO POR MIM
Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero.
Sou tão cínico às vezes,
O tempo todo estou tentando me defender.
Diga o que disserem,
O mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de atenção.
Hoje não estava nada bem,
mas a tempestade me distrai.
Gosto dos pingos de chuva,
dos relâmpagos e dos trovões
E é de noite que tudo faz sentido.
No silêncio eu não ouço meus gritos.
(Renato Russo)
Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero.
Sou tão cínico às vezes,
O tempo todo estou tentando me defender.
Diga o que disserem,
O mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de atenção.
Hoje não estava nada bem,
mas a tempestade me distrai.
Gosto dos pingos de chuva,
dos relâmpagos e dos trovões
E é de noite que tudo faz sentido.
No silêncio eu não ouço meus gritos.
(Renato Russo)
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Romatismo Brasileiro.
segunda-feira, 30 de março de 2009
ERA UMA PRAÇA
ERA UMA PRAÇA
Era uma praça
Em Porto de Santana
Sem atrativos
Sem gente insana.
Mas era lá
Que minha solidão
Virava versos
De uma canção.
Era uma praça
Muito sem graça
Não tinha banco
Funk ou fumaça.
Mas era lá
Que com meu violão
Eu fazia cover
Da Legião.
Era uma praça
Abandonada
E eu não tinha
Nem namorada.
Mas era lá
Que eu me reunia
Com meus amigos
Todos os dias.
(David Bellmond / 28.03.09)
Poeta, mestre em literatura, professor de literatura, língua portuguesa e italiano.
Era uma praça
Em Porto de Santana
Sem atrativos
Sem gente insana.
Mas era lá
Que minha solidão
Virava versos
De uma canção.
Era uma praça
Muito sem graça
Não tinha banco
Funk ou fumaça.
Mas era lá
Que com meu violão
Eu fazia cover
Da Legião.
Era uma praça
Abandonada
E eu não tinha
Nem namorada.
Mas era lá
Que eu me reunia
Com meus amigos
Todos os dias.
(David Bellmond / 28.03.09)
Poeta, mestre em literatura, professor de literatura, língua portuguesa e italiano.
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tributo.
sexta-feira, 27 de março de 2009
TRIBUTO A RENATO RUSSO

OS BONS MORREM ANTES (27/03/60 – 11/10/96)
Dia 27 de março é dia de recordarmos do bardo romântico-realista-simbolista-moderno Renato Manfredini Júnior. Não sabe quem é? Certamente você já deve ter ouvido a voz vociferante ou melodramática em alguma canção de sucesso dos anos 80 para cá. Ou então já deve ter ouvido alguma composição cantada por outra voz da MPB. Esse é o nome de nascimento de Renato Russo, um dos maiores ícones da música punk-pop-rock-brega tupiniquim.
Ele foi o responsável por eu aprender a ouvir música italiana, Erasmo Carlos, Rappa, Raimundos, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Chico, Caetano e outros tantos grandes intérpretes e compositores nacionais. Foi ouvindo as suas canções que eu descobri a existência de poetas e pensadores como Rimbaud, Jung, Engels, Marx, Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar.
Em 1985, quando Renato Russo surgiu nas FM’s cantando “Será” com sua voz parecida com a de Jerri Adriani, eu tinha 17 anos. Era época da primeira versão do Rock in Rio e o nosso poeta legionário não estava lá entre os grandes nomes da MPBRock. Contudo não demorou para que a febre da “Geração Coca-Cola” invadisse as antenas de TV, as ruas, os bares, as escolas, os hospitais. Em quase todos os lugares, se cantava Legião Urbana.
Eu pensei que a música da Legião seria uma peculiaridade da minha geração. Enganei-me. Nas décadas vindouras, a arte de Manfredini Júnior continuou a conquistar legiões, ou melhor, multidões de fãs. Não há uma música daquelas épocas remotas que não tenha marcado alguma momento na minha, nas nossas vidas. “Baader Meinhof Blues” embalou algumas brigas nossas na pracinha (A violência é tão fascinante). Mas brigar pra quê? “Soldados” naquele tock em que ninguém pegava ninguém (Nossas meninas estão longe daqui). “Eduardo e Mônica” nas baladas e porres de fim de semana (Não agüento mais birita). “Os barcos”nas desilusões amorosas (Você diz que tudo terminou, você não quer mais o meu querer). “Vento no litoral” quando a saudade apertou (e o vento vai levando tudo embora). “Pais e filhos” quando nossas vidas começaram a ficar mais sérias (Meu filho vai ter nome de santo). “Esperando por mim” para recordar os velhos amigos (Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim).
Porém a mais triste de todas foi cantar “Love in the afternoon” às 10 horas da manhã do dia 11 de outubro de 1996. Foi com essa canção que eu aceitei que não haveria mais aquelas noites de euforia no Álvares Cabral e nem o retorno de madrugada a pé pela beira-mar junto com a turma cantando as mesmas canções. Renato Russo partiu.
Luz e sentindo e palavra.
E silêncio.
(David Bellmond / 25 de março de 2009)
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