ESPERANDO POR MIM
Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero.
Sou tão cínico às vezes,
O tempo todo estou tentando me defender.
Diga o que disserem,
O mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de atenção.
Hoje não estava nada bem,
mas a tempestade me distrai.
Gosto dos pingos de chuva,
dos relâmpagos e dos trovões
E é de noite que tudo faz sentido.
No silêncio eu não ouço meus gritos.
(Renato Russo)
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
EIS A POESIA (7)
MINHA DESGRAÇA
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco.
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro
Eu sei..O mundo é um grande lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
(Álvares de Azevedo)
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco.
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro
Eu sei..O mundo é um grande lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
(Álvares de Azevedo)
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Romatismo Brasileiro.
EIS A POESIA (8)
VERSOS NEGROS
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
(...)
(Castro Alves)
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
(...)
(Castro Alves)
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
ROMANTISMO BRASILEIRO (PARTE 1)
A Literatura Romântica
O Romantismo Brasileiro é um período que se inicia com a publicação do livro "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836 e termina no ano de 1881. Iniciou-se na Alemanha, percorreu a Europa e chegou ao Brasil trazendo à arte uma nova forma de ver o mundo, a vida, o sentimento humano. Interessante é que o livro que deu origem ao Romantismo no Brasil foi lançado, na verdade, em Paris.
Não entenda o romântico como “o cara que é apaixonado, gosta de música brega e manda flores para a namorada”. Pode ser isso também, mas é muito mais. Na Literatura, ser romântico significa ser apaixonado por algo (não só pela mulher) como a pátria, as nossas origens, a nossa paisagem, etc.
Há algumas características marcantes que determinam o Romantismo:
· Subjetivismo - A visão pessoal, particular da sociedade, de seus costumes e da vida como um todo.
· Sentimentalismo - A Literatura é uma forma de explorar sentimentos comuns: o amor, a cólera, a paixão etc. O sentimentalismo geralmente implica na exploração da temática amorosa e nos dramas de amor.
· Indianismo – A figura do índio é traçada como exemplo de beleza, coragem, heroísmo. O índio representa o passado do povo brasileiro e o nosso herói medieval.
· Nacionalismo, ufanismo - A necessidade de se criar uma cultura genuinamente brasileira. Como uma forma de publicidade do Brasil, os autores brasileiros procuravam expressar uma opinião, um gosto, uma cultura e um jeito autênticos, livres de traços europeus.
· O culto à natureza - O culto ao natural, aos elementos da natureza, tão valorizados pelos índios. Passava-se a observar o ambiente natural como algo divino e puro.
· A idealização da Mulher (figura feminina) – a mulher é vista como um ser perfeito, sem máculas e digna de admiração e adoração.
· A idealização da realidade - A análise dos fatos, das aparências, dos costumes etc era muito superficial e pessoal, por isso era idealizada, imaginada, assim o sonho e o desejo invadiam o mundo real criando uma descrição romântica e mascarada dos fatos.
· Evasão (fuga) no tempo, no sonho, na imaginação, na loucura, no espaço e na morte.
· Mal do Século - Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.
· Religiosidade - A fé cristã é utilizada como um meio de mostrar recato e austeridade, mas são frequentes também a presença de uma espiritualidade negativa no ambiente natural.
· Maior liberdade formal - As produções literárias estavam livres para assumir a forma que quisessem, ou seja, era mais importante expressar seus sentimentos que o conhecimento de rima, métrica e poesia clássica.
O Romantismo Brasileiro é um período que se inicia com a publicação do livro "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836 e termina no ano de 1881. Iniciou-se na Alemanha, percorreu a Europa e chegou ao Brasil trazendo à arte uma nova forma de ver o mundo, a vida, o sentimento humano. Interessante é que o livro que deu origem ao Romantismo no Brasil foi lançado, na verdade, em Paris.
Não entenda o romântico como “o cara que é apaixonado, gosta de música brega e manda flores para a namorada”. Pode ser isso também, mas é muito mais. Na Literatura, ser romântico significa ser apaixonado por algo (não só pela mulher) como a pátria, as nossas origens, a nossa paisagem, etc.
Há algumas características marcantes que determinam o Romantismo:
· Subjetivismo - A visão pessoal, particular da sociedade, de seus costumes e da vida como um todo.
· Sentimentalismo - A Literatura é uma forma de explorar sentimentos comuns: o amor, a cólera, a paixão etc. O sentimentalismo geralmente implica na exploração da temática amorosa e nos dramas de amor.
· Indianismo – A figura do índio é traçada como exemplo de beleza, coragem, heroísmo. O índio representa o passado do povo brasileiro e o nosso herói medieval.
· Nacionalismo, ufanismo - A necessidade de se criar uma cultura genuinamente brasileira. Como uma forma de publicidade do Brasil, os autores brasileiros procuravam expressar uma opinião, um gosto, uma cultura e um jeito autênticos, livres de traços europeus.
· O culto à natureza - O culto ao natural, aos elementos da natureza, tão valorizados pelos índios. Passava-se a observar o ambiente natural como algo divino e puro.
· A idealização da Mulher (figura feminina) – a mulher é vista como um ser perfeito, sem máculas e digna de admiração e adoração.
· A idealização da realidade - A análise dos fatos, das aparências, dos costumes etc era muito superficial e pessoal, por isso era idealizada, imaginada, assim o sonho e o desejo invadiam o mundo real criando uma descrição romântica e mascarada dos fatos.
· Evasão (fuga) no tempo, no sonho, na imaginação, na loucura, no espaço e na morte.
· Mal do Século - Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.
· Religiosidade - A fé cristã é utilizada como um meio de mostrar recato e austeridade, mas são frequentes também a presença de uma espiritualidade negativa no ambiente natural.
· Maior liberdade formal - As produções literárias estavam livres para assumir a forma que quisessem, ou seja, era mais importante expressar seus sentimentos que o conhecimento de rima, métrica e poesia clássica.
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