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BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



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CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


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AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







terça-feira, 9 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (1)


Obs.: Os poemas que seguem abaixo abordam o mais nobre tema na poesia desde que o homem aprendeu a lidar com a arte da palavra (didaticamente falando: a literatura). Óbvio que há outros autores ilustres que deveriam figurar aqui (como Camões e o "Amor é fogo que arde sem se ver", Castro alves com a sua "Teresa", Vinícius com seus sonetos, entre outros tantos), todavia dei preferência a poesias mais oportunas, a começar pelo poeta baiano "Boca do Inferno" e o "Pica-flor" que tanto sucesso faz desde 1600. Espero que as poesias lhe agradem. Caso contrário, escreva seus próprios poemas.


PICA-FLOR

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Metei a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.

(Gregório de Matos e Guerra)


Em tempo: Esses mesmos poemas podem ser lidos no blog de David Bellmond: www.davidbellmond.blogspot.com

segunda-feira, 8 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (4)






POR QUE NÃO DIGO QUE TE AMO

Só não te digo que te amo
porque você não me compreenderia
se eu dissesse que te amo
como amo minha poesia.

Se eu te disser o quanto te amo
pode querer me ignorar
porque sei que há muitos nomes
que já juraram te amar.

pai, mãe, irmãs, amigos e amigas
e outros que você ignora
carecem tanto do seu amor
por esta escura estrada à fora.

mas me contento em te ter por perto
e dividir sua atenção
com todo mundo que te implora
o seu olhar, sua compaixão.

(David Bellmond / 12.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (5)








DE QUE VOCÊ MAIS PRECISA



Você é aquele mulher
para quem um poeta qualquer
deveras conseguiria
fazer poesia.
Bastou que eu me lembrasse
Da beleza da sua face
E escrevesse esses versos
Escritos com meu apreço
E com clara dedicação
À sua aparição
Nesse meu mundo cinza.
Amante, amado ou marido
Sabem que o seu sorriso
Enfeitiça outros homens?
Quem sabe eles precisam
Redescobrir tudo aquilo
De que você mais precisa?

(Homero de Linhares / 25.11.08)

POEMA PARA NAMORADOS (6)




Obs.: A imagem acima veio no encarte da minha fatura da Riachuelo. Achei interessante reproduzi-la junto a um tema tão recorrente na poesia: O amor (ainda que de forma tão despudorada). O mestre Drummond mais uma vez mostra seu brilhantismo na arte da lira e do erotismo. Apesar de tanto atrevimento, os versos são perfeitos com decassílabos italianos num soneto bem acabado. Rimas, sons e imagens de um grande poeta.








NÃO QUERO SER O ÚLTIMO A COMER-TE

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.


(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 7 de junho de 2009

POEMA PARA NAMORADOS (7)






UM PEDAÇO DO SEU SER

Não quero mais sentir saudades de você.
O que eu quero mesmo é viver
ao seu lado os dias que me restam
nesta vida que já não presta
se não for pra lhe amar.

Não quero mais lhe telefonar
e planejar momentos passageiros
e ficar o dia inteiro
só sonhando com o que vem.
Senhorita, seu amor me convém

Como convém a um barco pelas ondas velejar.
Eu sou o barco e você é o mar.
Não quero sentir mais essa fome
Que sinto de gritar seu nome
E beber do seu olhar.

Acho que preciso de você
No meu dia-a-dia a todo instante.
Não quero mais ser o seu amante,
Eu quero ser doravante
Um pedaço do seu ser.


(Homero de Linhares /07.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (8)




O AMOR SECRETO É COMO UM RIO ESCURO


O amor secreto é como um rio escuro
no qual mergulhas sem saber se emerges
e quanto mais fundo mais nos fascina
e esse segredo nos mata e protege.

Tenho tanto medo do mar e amar
Que quero entrar no rio e o medo
Controla meu pulsar e minha vontade
De revelar a todos meu segredo.

O amor secreto é como um estranho rio
Em que me banho sem saber se posso
Lavar meu corpo sem correr o risco

De me sujar ainda mais nas águas
Que às vezes se travestem de prazer
E outras vezes se revelam mágoas.


(Homero de Linhares / 02.06.09)

POEMA PARA NAMORADOS (10)




SENHORITA KRÊURIS  (PARTE II)

Deu-me vontade de te ligar à meia-noite
E arrumar uma desculpa esfarrapada
Para ouvir a sua voz uma só vez
Mas tive medo de que um outro homem
Me atendesse e perguntasse quem eu era
E eu não teria coragem de esconder:
Eu sou um louco no meio da madrugada
Querendo apenas dizer à minha amada
Que eu não durmo de amor e de ciúme.

Nesses malditos e longos fins de semanas
Como eu odeio não te ver nem te falar.
Como eu te amo, Linda Senhorita K.
Deixa-me ser ao menos o seu bibelô.
Não necessita nem mesmo me dar amor
Basta me ter, basta me ouvir, basta me olhar.

(Homero de Linhares / 07.06.09)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

13 DE MAIO? KKK (ISSO NÃO)

PRETO DESQUALIFICADO?


Há 120 anos ou mais,
No início da República,
Dizia-se que o preto não
Tinha qualificação
Pra trabalhar na lavoura
Como o ítalo-alemão
Que fugira da Europa
Vindo em busca de pão.

Parece que o preto era
Incapaz de aprender
A lidar com as ferramentas
Que eram suas mãos e pés
Pra riqueza e bel-prazer
Do Brasil colonial
A tratar como animal
Meus tataravôs sofridos
Escravos pretos, bandidos
Comprados, dados, vendidos
Em feiras de bugigangas.

E empregavam o branco
E humilhavam o preto
Que deixou de ser escravo
E se amontoou em guetos.

Favela era senzala,
Quilombo virou favela
E o Brasil que era somente
Brancos e escravos pretos
Passou a ser a mistura
De brancos e pretos pobres
Sem me esquecer dos índios
Que eram mortos ou trazidos
A laço ao catolicismo.

Pois bem: agora mudou
A nossa mentalidade.
Somos um povo estudado
E soberanos em igualdade.
Senzala virou empresa
E favela virou cidade.
Já não somos mais os pretos
Incapazes de aprender
A arte de ler e escrever.

Agora nós somos negros
Multiplicando o orgulho
Dessa nossa melanina
Que transborda, que esbalda
A criatividade divina
Em fazer homens diversos
Com inúmeros tons de pele
Que não cabem nesses versos.

Mesmo assim o tal do IPEA
Insiste em chamar de pretos
Minha raça vencedora
Que resistiu aos maus-tratos
De Izabel, a redentora
E sua corja de falsos.
Será que só minha raça
Precisa obter a graça
De mudar suas origens?

Mudem esse pensamento
De Dom Pedro, Darwin, Hitler,
E aceitem que não existe
Raça pura ou perfeita
E que há 120 anos
Que o meu povo é livre.
Leiam o meu direito
De ser tratado com respeito
Porque vocês me agridem
Quando me chamam de preto.


Se há algo de que me orgulho
É de ser feito de luta
E não um filho da injusta
Nação que incrimina
Por ser descendente afro,
Tataraneto de escravos.
Preto é seu preconceito.
Eu sou e sempre fui negro.

(David Bellmond / 13 de maio de 2009)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

DISCURSO DE UM NEGRO EM 2009




DISCURSO DE UM NEGRO EM 1888

Princesas, imperatrizes,
Meretrizes
É tudo igual.
Os negros já inventam o carnaval
Disfarçando a fome,
Enaltecendo o nome
De uma liberdade que ainda não veio
Da maneira esperada.
A abolição foi a espada
Que decepou o seio
Da mão negra que amamentava
Num canto da senzala.
O mulato, o negro esbranquiçado
Ainda mais se cala
Porque ser negro é ser rejeitado.
Ser negro é ser ex-escravo desempregado
Sem moradia e sem amor da nação
Construída pelo braço da escravidão.
E branco ainda vem dizer que Isabel é protetora
De negro. Santa redentora
Que não sabe o que é ter casa,
Ter refeição e escola como branco.
Ser negro é ser pássaro sem asa,
Sem gaiola e sem canto.

(David Bellmond /13.05.1988)

terça-feira, 12 de maio de 2009

13 de maio: Que palhaçada!








13 DE MAIO – QUE PALHAÇADA!


Abolição da escravatura. Completaram-se 121 anos. Pouco? Realmente. Muito pouco para um povo que viveu debaixo da escuridão, não a escuridão da pele, mas a escuridão da noite, a escuridão do dia, a escuridão da igreja, a escuridão do poder, a escuridão do branco incapaz de raciocinar. A escuridão de um escravagismo que obrigou meus bisavós a trabalharem de graça por mais de 300 anos.
13 de maio. Não. Não temos nada a comemorar. A Lei Áurea assinada pela digna Princesa Isabel foi uma palhaçada. Deram liberdade, mas não deram emprego, casa, condições de vida mínima que fosse. Ainda hoje vivemos debaixo do estigma da escravidão e somos olhados por não poucos que enxergam a escravidão extinta mais que nós. Ainda existem pessoas que conseguem ver na cor da minha pele o emblema dos negros africanos trazidos da África à força. Tristemente ainda há quem me trate como se tratasse um escravo da época. Os escravos da época eram considerados inferiores. A igreja Católica os considerava sem alma, por isso não podiam se converter ao cristianismo. Por isso que negro que se preze não deveria ser católico.
Vergonha da minha raça? Que nada. Eu me orgulho, e muito, dos meus ancestrais porque eles mostraram a força física da sobrevivência e a coragem de lutar. Devemos muito aos abolicionistas que lutaram contra a opressão. Devemos agradecer a escritores que, como Castro Alves, não se fingiram de cegos diante de tamanha covardia. Acredita que existem pessoas que me tratam indiferente? Como se ainda fosse superiores a mim devido à cor da pele.
Pobres coitados! Desconhecem que a Constituição me concedeu direitos iguais aos brancos estúpidos que não estudaram História e nem leram a Bíblia. Mais triste ainda é ver policiais negros tratando negro como os bisavós deles eram tratados nas senzalas. Capitães do mato. Sim! Os policiais negros que oprimem negros por serem negros são capitães do mato a mando de uma falsa democracia que ainda não dá oportunidades iguais, mesmo contrariando a Lei Máxima desse país construído pelo braço forte do negro.
Grande abraço aos meus irmãos negros e brancos que conseguiram se libertar da visão opressora da época da Casa Grande. Façamos silêncio em nome daqueles que abraçaram e abraçam essa causa: Racismo é coisa de branco ignorante e negro desinformado que se considera “preto”. Preto é o solado do meu sapato. Preto é o cabo do revólver do soldado incauto que desconhece minha luta. Preto é o futuro de quem ainda não conseguiu se olhar no espelho e ver a face do nosso Brasil. Eu sou é negro.


(David Bellmond - 13 de maio de 2009)

“Preto é quem leva uma pedrada e não a devolve. Se você tem coragem de devolver a pedrada, então você é negro.”
(Paul Sartre)