SEJA BEM-VINDO!

BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



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CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


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AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







quinta-feira, 14 de maio de 2009

13 DE MAIO? KKK (ISSO NÃO)

PRETO DESQUALIFICADO?


Há 120 anos ou mais,
No início da República,
Dizia-se que o preto não
Tinha qualificação
Pra trabalhar na lavoura
Como o ítalo-alemão
Que fugira da Europa
Vindo em busca de pão.

Parece que o preto era
Incapaz de aprender
A lidar com as ferramentas
Que eram suas mãos e pés
Pra riqueza e bel-prazer
Do Brasil colonial
A tratar como animal
Meus tataravôs sofridos
Escravos pretos, bandidos
Comprados, dados, vendidos
Em feiras de bugigangas.

E empregavam o branco
E humilhavam o preto
Que deixou de ser escravo
E se amontoou em guetos.

Favela era senzala,
Quilombo virou favela
E o Brasil que era somente
Brancos e escravos pretos
Passou a ser a mistura
De brancos e pretos pobres
Sem me esquecer dos índios
Que eram mortos ou trazidos
A laço ao catolicismo.

Pois bem: agora mudou
A nossa mentalidade.
Somos um povo estudado
E soberanos em igualdade.
Senzala virou empresa
E favela virou cidade.
Já não somos mais os pretos
Incapazes de aprender
A arte de ler e escrever.

Agora nós somos negros
Multiplicando o orgulho
Dessa nossa melanina
Que transborda, que esbalda
A criatividade divina
Em fazer homens diversos
Com inúmeros tons de pele
Que não cabem nesses versos.

Mesmo assim o tal do IPEA
Insiste em chamar de pretos
Minha raça vencedora
Que resistiu aos maus-tratos
De Izabel, a redentora
E sua corja de falsos.
Será que só minha raça
Precisa obter a graça
De mudar suas origens?

Mudem esse pensamento
De Dom Pedro, Darwin, Hitler,
E aceitem que não existe
Raça pura ou perfeita
E que há 120 anos
Que o meu povo é livre.
Leiam o meu direito
De ser tratado com respeito
Porque vocês me agridem
Quando me chamam de preto.


Se há algo de que me orgulho
É de ser feito de luta
E não um filho da injusta
Nação que incrimina
Por ser descendente afro,
Tataraneto de escravos.
Preto é seu preconceito.
Eu sou e sempre fui negro.

(David Bellmond / 13 de maio de 2009)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

DISCURSO DE UM NEGRO EM 2009




DISCURSO DE UM NEGRO EM 1888

Princesas, imperatrizes,
Meretrizes
É tudo igual.
Os negros já inventam o carnaval
Disfarçando a fome,
Enaltecendo o nome
De uma liberdade que ainda não veio
Da maneira esperada.
A abolição foi a espada
Que decepou o seio
Da mão negra que amamentava
Num canto da senzala.
O mulato, o negro esbranquiçado
Ainda mais se cala
Porque ser negro é ser rejeitado.
Ser negro é ser ex-escravo desempregado
Sem moradia e sem amor da nação
Construída pelo braço da escravidão.
E branco ainda vem dizer que Isabel é protetora
De negro. Santa redentora
Que não sabe o que é ter casa,
Ter refeição e escola como branco.
Ser negro é ser pássaro sem asa,
Sem gaiola e sem canto.

(David Bellmond /13.05.1988)

terça-feira, 12 de maio de 2009

13 de maio: Que palhaçada!








13 DE MAIO – QUE PALHAÇADA!


Abolição da escravatura. Completaram-se 121 anos. Pouco? Realmente. Muito pouco para um povo que viveu debaixo da escuridão, não a escuridão da pele, mas a escuridão da noite, a escuridão do dia, a escuridão da igreja, a escuridão do poder, a escuridão do branco incapaz de raciocinar. A escuridão de um escravagismo que obrigou meus bisavós a trabalharem de graça por mais de 300 anos.
13 de maio. Não. Não temos nada a comemorar. A Lei Áurea assinada pela digna Princesa Isabel foi uma palhaçada. Deram liberdade, mas não deram emprego, casa, condições de vida mínima que fosse. Ainda hoje vivemos debaixo do estigma da escravidão e somos olhados por não poucos que enxergam a escravidão extinta mais que nós. Ainda existem pessoas que conseguem ver na cor da minha pele o emblema dos negros africanos trazidos da África à força. Tristemente ainda há quem me trate como se tratasse um escravo da época. Os escravos da época eram considerados inferiores. A igreja Católica os considerava sem alma, por isso não podiam se converter ao cristianismo. Por isso que negro que se preze não deveria ser católico.
Vergonha da minha raça? Que nada. Eu me orgulho, e muito, dos meus ancestrais porque eles mostraram a força física da sobrevivência e a coragem de lutar. Devemos muito aos abolicionistas que lutaram contra a opressão. Devemos agradecer a escritores que, como Castro Alves, não se fingiram de cegos diante de tamanha covardia. Acredita que existem pessoas que me tratam indiferente? Como se ainda fosse superiores a mim devido à cor da pele.
Pobres coitados! Desconhecem que a Constituição me concedeu direitos iguais aos brancos estúpidos que não estudaram História e nem leram a Bíblia. Mais triste ainda é ver policiais negros tratando negro como os bisavós deles eram tratados nas senzalas. Capitães do mato. Sim! Os policiais negros que oprimem negros por serem negros são capitães do mato a mando de uma falsa democracia que ainda não dá oportunidades iguais, mesmo contrariando a Lei Máxima desse país construído pelo braço forte do negro.
Grande abraço aos meus irmãos negros e brancos que conseguiram se libertar da visão opressora da época da Casa Grande. Façamos silêncio em nome daqueles que abraçaram e abraçam essa causa: Racismo é coisa de branco ignorante e negro desinformado que se considera “preto”. Preto é o solado do meu sapato. Preto é o cabo do revólver do soldado incauto que desconhece minha luta. Preto é o futuro de quem ainda não conseguiu se olhar no espelho e ver a face do nosso Brasil. Eu sou é negro.


(David Bellmond - 13 de maio de 2009)

“Preto é quem leva uma pedrada e não a devolve. Se você tem coragem de devolver a pedrada, então você é negro.”
(Paul Sartre)

domingo, 12 de abril de 2009

AVISO AOS NAVEGANTES!!!!

Fiquem à vontade para comentar os textos e poemas publicados aqui. Falem bem ou falem mal, mas deixem marcas registradas nesse exercício de escrita!

(Homero de Linhares)

2009 NA TELEVISÃO

O QUE É NOVO PINTA NA TELINHA

Acabou recentemente uma nova edição do BBB. Não vi, não quero ver a próxima e tenho pena de quem vê. Não que eu seja anti-social (com hífen ou sem hífen?). É que é sempre a mesma coisa. Quem viu a primeira edição viu todas. Tem sempre um participante negro para dizer que Roberto Marinho aprovava a democracia racial. Aliás, a Globo é boa nisso: toda novela global apresenta alguns atores negros para não dar margem aos comentários anti-racistas dos reacionários como eu. Engraçado (será?) é que não consigo ver a cara da população brasileira nas histórias tendenciosas da telinha. O BBB tem também sempre umas mulheres boazudas que serão capas da Playboy, da Sexy ou de outras revistas de nu artístico. O que seria do imenso público masculino sem as loiras, as ruivas, as siliconadas ou sem silicone, que posam mostrando seus pelos (com ou sem acento?) mais íntimos para nosso delírio e fantasia? Tem sempre uma ou outra beldade de talento mediano que entrará para a programação televisiva ou virará repórter de talento duvidoso. Tem sempre um pseudo-intelectual (com hífen ou sem hífen?), o que instigará algumas pessoas a dizerem que sou radical quando afirmo que o significado de BBB é Big Burro Brasil, Big Bundas Brasil, Big Boss Brasil, Big Bêbado Brasil.
Aliás, com a Globo é sempre assim: apesar de estarmos em 2009, não há quem inove na telinha. A GLOBO representa a GLOBalização da moda, da mídia, do tédio. As novelas são sempre parecidas umas com as outras. A nova novela mostra os mesmos cenários, os mesmos atores fazendo as mesmas Caras e Bocas no Paraíso do Caminho das índias. Até os nomes das novelas são pouco criativos. Minha mãe se confunde, achando que está vendo a nova versão de Cabocla ainda, ou será Sinhá Moça ou mesmo outra novela rural? As comédias vão bem até que o autor perde o rumo do que está contando e repete as fórmulas de novelas fracassadas passadas. Os filmes da Sessão da Tarde são lá da época em que o cinema ainda era quase mudo. Nos programas de fim de semana, somente um ou outro foge da mediocridade.
Eu rio mesmo é quando anunciam a TV Digital com a afirmação de que essa é uma nova era da televisão. KKKK, como dizem no MSN. Ou como diria aquele personagem de Rubem Fonseca: Só rindo. Pra que TV Digital se a Globo e suas imitadoras não oferecem nada de novo aos caros telespectadores?

(Homero de Linhares / 12.04.09)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

UM BOM POEMA

um bom poema
leva anos cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

(Paulo Leminski)

MINHA ALMA CHOVE

Minha alma chove
frio e tristinho
não te comove
este versinho?

(Carlos Drummond de Andrade)

Poema de Rafaela

Apenas o que sinto,
Apenas o que falo,
Apenas o que faço,
Apenas me desfaço.

(Rafaela de Andrade)

POEMA ERÓTICO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


CELULAR DE PARLAMENTAR: GASTO SURREAL


CELULAR DE PARLAMENTAR

Segundo o jornal “A Tribuna”, A Assembléia Legislativa do Espírito Santo gastou R$ 355. 179,44 com a telefonia móvel em 2008. Esse irrisório valor corresponde apenas às despesas com os celulares dos 31 deputados capixabas nesse ano. A matéria publicada no jornal na sexta-feira santa, 10/04/09, informa ainda que alguns dos nossos ilustres representantes (como os Srs. Luiz Carlos Moreira do PMDB, Robson Vaillant do DEM, e as Sras. Luzia Toledo do PTB e Janete de Sá do PMN) conseguiram consumir mais de R$ 20.000,0Adicionar imagem0 com ligações via celular. Dizer que isso é uma vergonha não paga não reduz em nada a nossa imensa decepção com essa classe divinizada que ri com muito sarcasmo dos brasileiros comuns que trabalham exaustivamente para bancar os luxos dos parlamentares. Como pode se verificar abaixo, a coisa fica ainda pior na ascendência dos cargos eletivos, pois:

Reportagem de Adriano Ceolin, publicada na edição de hoje da Folha (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL), informa que o Senado gastou R$ 8,6 milhões com pagamento de contas de telefones celulares no ano passado. Em média, o gasto por
parlamentar foi de ao menos R$ 6.126 mensais. (http://www.hojenoticias.com.br/brasil/senadores-gastam-media-de-r-6000-mensais-em-celular)

O exemplo mais negativo foi dado por um senador do PT:

Reportagem do jornal "Estado de S. Paulo" afirma que a conta do telefone celular do Senado que o senador Tião Viana (PT-AC) emprestou à filha em viagem de férias ao México foi de R$ 14.758,07. Procurado pela Folha Online, Viana se negou a confirmar o valor e disse apenas que esperava do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), as providências relativas à quebra de seu sigilo telefônico. (http://www.hojenoticias.com.br/brasil/senado-abre-sindicancia-para-apurar-vazamento-do-sigilo-telefonico-de-tiao-viana)

O senador Petista, Tião Viana, decidiu não revelar o valor da conta do celular, mas admitiu que errou ao emprestar o telefone do Senado para a filha utilizar durante a viagem. "Eu assumi a inteira responsabilidade, foi uma falha minha. O país muda quando qualquer pessoa que, ao errar, assume o seu erro", afirmou. Isso deveria vir escrito em toda Lei criada pelos responsáveis e filosóficos parlamentares brasileiros, de senador a vereador.
Enquanto milhares de capixabas se esforçam para sobreviver à míngua com míseros R$ 400,00 por mês, alguns deputados capixabas gastam uma média de R$ 2000,00 por mês com celular. Enquanto milhões de brasileiros se esforçam para sobreviver à míngua com míseros R$ 400,00 por mês, um senador gasta, no mínimo, R$ 6126,00 por mês com celular.
Esse é o Brasil da desigualdade que começa de cima pra baixo, do presidente ao vereador. E olha que existem brasileiros com pós-graduação ganhando menos de R$ 1.000,00 por mês. É preciso dizer mais alguma coisa para alimentar a nossa ira com os homens e mulheres honrados que fazem a Lei nesse país?


(Homero Linhares / 10.04.09)