Paixão
Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os ohos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo o que se quer
Ah! Esse maldito fechecler
De repente a gente rasga a roupa e uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo tudo o que vier eu topo
Tudo o que vier vem bem
Quando bebo perco o juízo não me responsabilizo
Nem por mim nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Essas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou.
(KLEITON E KLEDIR)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
O AMOR: IRMÃO DA LOUCURA


Obs. : Desde épocas remotas que o amor tem feito suas vítimas. Para iniciar esse passeio pelas trevas densas do amor (que às vezes parece nos conduzir à luz), o primeiro palestrante é o mestre Drummond, depois Fernando Pessoa, seguimos com Bellmond e encontramos Homero no meio do caminho. Atente à sequência dos poemas e previna-se desse mal de amar, que tantas almas humanas tem conduzido à morte. Amor e morte - binômio inseparável.
CONFRONTO
Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão."
A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.
E exclama: "Entra correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,
enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."
(Carlos Drummond de Andrade)
O AMOR QUANDO SE REVELA...
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar
Sabe bem olha p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Para saber que estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)
Não se sabe revelar
Sabe bem olha p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Para saber que estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)
Marcadores:
Amor quando se revela,
Confronto.
2. AMORES QUE APRISIONAM

CARTA A UM AMOR PROIBIDO (ALGEMADOS)
Meu doce amor proibido, há um lado meu que você não conhece e eu nunca tiver oportunidade de falar por causa da felicidade que você me trouxe, permitindo-me lhe amar. Talvez você já tenha até percebido, mas eu nunca senti vontade de falar para não lhe magoar. Acho que é hora de você, meu grande amor, porque não quero que acredite que sou a pessoa mais feliz do mundo. E eu não sou.
Há um lado triste em mim que, de vez em quando, se revela e eu sofro para superá-lo. Nessas datas como "o dia dos namorados" acabam por descobrir meu alter-ego por ver tantas pessoas felizes e acreditando no amor. Não sei de quem é a culpa nem sei se há culpa de alguém. Acho que, por ter a sensibilidade à flor da pele, me sinto deprimido por ver um mundo em que as pessoas se conformam com tudo. Se você diz que eu sou uma pessoa revoltada, subversiva, eu o sou por não concordar com muita coisa que existe em nosso meio, por ver tanta gente fingindo ser feliz quando a felicidade ainda está distante. Será que é preciso representar um personagem que agrade à sociedade para se viver em paz? Veja o meu e o seu caso, por exemplo, ao fingirmos que somos felizes vivendo nossas vidas de maneira exemplar com filhos e dizendo mentiras a quem diz nos amar. Não me refiro a eu e você, mas a mim e a pessoa que vive comigo e a você e a pessoa que está ao seu lado. Será que é preciso que pensemos como a maioria para agradar ao mundo? Será que é preciso anular o nosso verdadeiro sentimento para não haver guerra, morte e fim do mundo?
Ora, eu vejo tantos amigos meus sendo "felizes" com seus amores assumidos e não correspondidos que temo me tornar igual a eles. Por que será que é mais fácil viver fazendo aquilo que a maioria faz? Se a verdade deve estar acima de tudo, a verdade é que eu lhe amo e você também me ama apesar de não assumirmos isso publicamente. Meu amor, sou uma pessoa triste desde minha adolescência. Será que você veio para ser a razão da minha alegria e para sustentar aquilo com que sonho? Posso contar com você para continuar lutando contras as coisas com que não concordo? Você será meu bálsamo para aliviar minha dor nos meus dias repletos de desilusão, dentro de um mundo que prefere viver de aparências. Ou você ignora que eu seja um poeta e que poetas vivem imersos em sonhos e perdidos em reclamações? Sou eu o poeta que cria mundos alternativos para fugir da hipocrisia em que vivo. Poetas são seres inconformados e tristes, trasnformar o mundo a cada instante e morrem insatisfeitos no meio de tantos vendavais que sopram contra suas crenças. Você ama só a mim ou está pronta para amar o poeta e seu sonho? Dois seres em mim lhe amam. Será que você pode amar os dois? Nessa tristeza do dias dos namorados, nasci parta ser derrotado pelo sentimento maior dos seres que preferem amar sem complicações, sem canções de amor verdadeiras, que assumam o amor secreto que há dentro de cada um de muitos de nós, principalmente eu e você. Resta-me saber se você ama um homem-poeta que é triste/sorumbático/melancólico/mais triste do que você imagina e que acredita que você é a razão de viver. Por isso estamos algemados um ao outro desde que nos conhecemos.
Beijos do homem-poeta triste que lhe ama.
(Homero de Linhares / 12.06.09)
Meu doce amor proibido, há um lado meu que você não conhece e eu nunca tiver oportunidade de falar por causa da felicidade que você me trouxe, permitindo-me lhe amar. Talvez você já tenha até percebido, mas eu nunca senti vontade de falar para não lhe magoar. Acho que é hora de você, meu grande amor, porque não quero que acredite que sou a pessoa mais feliz do mundo. E eu não sou.
Há um lado triste em mim que, de vez em quando, se revela e eu sofro para superá-lo. Nessas datas como "o dia dos namorados" acabam por descobrir meu alter-ego por ver tantas pessoas felizes e acreditando no amor. Não sei de quem é a culpa nem sei se há culpa de alguém. Acho que, por ter a sensibilidade à flor da pele, me sinto deprimido por ver um mundo em que as pessoas se conformam com tudo. Se você diz que eu sou uma pessoa revoltada, subversiva, eu o sou por não concordar com muita coisa que existe em nosso meio, por ver tanta gente fingindo ser feliz quando a felicidade ainda está distante. Será que é preciso representar um personagem que agrade à sociedade para se viver em paz? Veja o meu e o seu caso, por exemplo, ao fingirmos que somos felizes vivendo nossas vidas de maneira exemplar com filhos e dizendo mentiras a quem diz nos amar. Não me refiro a eu e você, mas a mim e a pessoa que vive comigo e a você e a pessoa que está ao seu lado. Será que é preciso que pensemos como a maioria para agradar ao mundo? Será que é preciso anular o nosso verdadeiro sentimento para não haver guerra, morte e fim do mundo?
Ora, eu vejo tantos amigos meus sendo "felizes" com seus amores assumidos e não correspondidos que temo me tornar igual a eles. Por que será que é mais fácil viver fazendo aquilo que a maioria faz? Se a verdade deve estar acima de tudo, a verdade é que eu lhe amo e você também me ama apesar de não assumirmos isso publicamente. Meu amor, sou uma pessoa triste desde minha adolescência. Será que você veio para ser a razão da minha alegria e para sustentar aquilo com que sonho? Posso contar com você para continuar lutando contras as coisas com que não concordo? Você será meu bálsamo para aliviar minha dor nos meus dias repletos de desilusão, dentro de um mundo que prefere viver de aparências. Ou você ignora que eu seja um poeta e que poetas vivem imersos em sonhos e perdidos em reclamações? Sou eu o poeta que cria mundos alternativos para fugir da hipocrisia em que vivo. Poetas são seres inconformados e tristes, trasnformar o mundo a cada instante e morrem insatisfeitos no meio de tantos vendavais que sopram contra suas crenças. Você ama só a mim ou está pronta para amar o poeta e seu sonho? Dois seres em mim lhe amam. Será que você pode amar os dois? Nessa tristeza do dias dos namorados, nasci parta ser derrotado pelo sentimento maior dos seres que preferem amar sem complicações, sem canções de amor verdadeiras, que assumam o amor secreto que há dentro de cada um de muitos de nós, principalmente eu e você. Resta-me saber se você ama um homem-poeta que é triste/sorumbático/melancólico/mais triste do que você imagina e que acredita que você é a razão de viver. Por isso estamos algemados um ao outro desde que nos conhecemos.
Beijos do homem-poeta triste que lhe ama.
(Homero de Linhares / 12.06.09)
Marcadores:
Carta a um amor proibido.,
Homero de Linhares
4. AMORES QUE FINDAM
CARTA SUICIDA A UM AMOR PERDIDO
Não se espante se um dia
Ouvir soar pela noite
Meu brado de agonia;
É que não causou efeito
Esconder dentro do peito
Toda dor que eu sentia.
Não se espante se acaso
Ouvir dizer que enlouqueci
Ou que me encontro entrevado;
É que minha vida sem você,
Sem sua voz, é tão normal
Que ainda vai me enlouquecer,
Não se perturbe se um dia
Alguém disser que eu morri;
É que a falta de quem amo,
Este espectral vazio de ti,
Matou todos os meus planos.
E é bem capaz que eu morra
Antes que eu fique louco,
Mas guarde mim um pouco
Pra que eu não morra de vez.
Não deixe que outros pensem
Que morri por ser covarde.
Morri porque te amava tanto
E nunca entendi seu alarde.
Descobri que sem minha amada
Minha cruz é mais pesada.
Pena que descobri tarde.
Pena que agora a distância
Aumenta paralela à dor.
Quanto mais sinto sua falta,
Mais te perco, meu amor,
E mais ainda o tempo passa.
(David Bellmond /12.06.09)
Não se espante se um dia
Ouvir soar pela noite
Meu brado de agonia;
É que não causou efeito
Esconder dentro do peito
Toda dor que eu sentia.
Não se espante se acaso
Ouvir dizer que enlouqueci
Ou que me encontro entrevado;
É que minha vida sem você,
Sem sua voz, é tão normal
Que ainda vai me enlouquecer,
Não se perturbe se um dia
Alguém disser que eu morri;
É que a falta de quem amo,
Este espectral vazio de ti,
Matou todos os meus planos.
E é bem capaz que eu morra
Antes que eu fique louco,
Mas guarde mim um pouco
Pra que eu não morra de vez.
Não deixe que outros pensem
Que morri por ser covarde.
Morri porque te amava tanto
E nunca entendi seu alarde.
Descobri que sem minha amada
Minha cruz é mais pesada.
Pena que descobri tarde.
Pena que agora a distância
Aumenta paralela à dor.
Quanto mais sinto sua falta,
Mais te perco, meu amor,
E mais ainda o tempo passa.
(David Bellmond /12.06.09)
Marcadores:
Carta suicida a um amor perdido.,
David Bellmond.
3. AMORES QUE NÃO SÃO CORRESPONDIDOS
CARTA-RESPOSTA DE UM AMOR PROIBIDO
POEMA DE AMOR EM LINHA RETA (ALGEMADOS)
“Todos as cartas de amor são ridículos”
(Álvaro de Campos)
Não fica triste se a cicatriz que eu fiz em seu peito demorar a sarar é que eu não podia fingir que a alegria que você sentia também era minha e eu não podia te dar nada além de um tiro na esperança agonizante de quem me amou um instante e versejou por um suspiro aquilo que eu não pretendia. Eu prefiro ficar sozinha do que me dar a quem não amo e ver você fazendo planos para um amor que não morreu porque nunca aconteceu. Se foram só meus olhos de ressaca que te provocaram tanta sede, tantas mulheres há por aí que podem te sorrir em troca de um afago, mas eu não. Eu trago no peito um amor nunca resolvido, meio inseguro, meio bandido e eu duvido que consiga me desvencilhar das armadilhas desse amor que há anos me protege. E vem você e me elege como a mais divina mulher...o que é que você quer? Fazer eu me sentir culpada quando me diz que me sonha toda madrugada? Fazer eu me sentir perversa quando me manda os seus versos afogados em meu olhar? Eu já não posso acreditar em amores tão repentinos e você diz que desde que me viu me amou e nunca teve mais do que amores dolorosos e breves e que eu sou sua escolhida para passar o resto da vida ouvindo a sua poesia. Que monotonia, você cantando para mim e eu querendo ver se o amor que você sente tem um fim. Ora, ame-se e acredite que o seu lirismo foi ao limite do que poderia sentir e escrever e ver e ler tudo que o meu olhar transmite. Ame-se e pense que é melhor amar alguém por um instante do que nunca amar, inda que o amor passageiro nunca seja seu por inteiro, inda que eu não te retribua a mesma lua, o mesmo sol que fiz brilhar no seu bemol. Cante qualquer canção de ira, que talvez isso te inspira a outro amor depois do meu, porque o meu, meu caro amigo, não poderá nunca morrer, ou sequer te fará sofrer, pois ele na verdade nunca em mim nasceu.
(Senhorita Krêuris /12.06.09)
POEMA DE AMOR EM LINHA RETA (ALGEMADOS)
“Todos as cartas de amor são ridículos”
(Álvaro de Campos)
Não fica triste se a cicatriz que eu fiz em seu peito demorar a sarar é que eu não podia fingir que a alegria que você sentia também era minha e eu não podia te dar nada além de um tiro na esperança agonizante de quem me amou um instante e versejou por um suspiro aquilo que eu não pretendia. Eu prefiro ficar sozinha do que me dar a quem não amo e ver você fazendo planos para um amor que não morreu porque nunca aconteceu. Se foram só meus olhos de ressaca que te provocaram tanta sede, tantas mulheres há por aí que podem te sorrir em troca de um afago, mas eu não. Eu trago no peito um amor nunca resolvido, meio inseguro, meio bandido e eu duvido que consiga me desvencilhar das armadilhas desse amor que há anos me protege. E vem você e me elege como a mais divina mulher...o que é que você quer? Fazer eu me sentir culpada quando me diz que me sonha toda madrugada? Fazer eu me sentir perversa quando me manda os seus versos afogados em meu olhar? Eu já não posso acreditar em amores tão repentinos e você diz que desde que me viu me amou e nunca teve mais do que amores dolorosos e breves e que eu sou sua escolhida para passar o resto da vida ouvindo a sua poesia. Que monotonia, você cantando para mim e eu querendo ver se o amor que você sente tem um fim. Ora, ame-se e acredite que o seu lirismo foi ao limite do que poderia sentir e escrever e ver e ler tudo que o meu olhar transmite. Ame-se e pense que é melhor amar alguém por um instante do que nunca amar, inda que o amor passageiro nunca seja seu por inteiro, inda que eu não te retribua a mesma lua, o mesmo sol que fiz brilhar no seu bemol. Cante qualquer canção de ira, que talvez isso te inspira a outro amor depois do meu, porque o meu, meu caro amigo, não poderá nunca morrer, ou sequer te fará sofrer, pois ele na verdade nunca em mim nasceu.
(Senhorita Krêuris /12.06.09)
Marcadores:
Poema de amor em linha reta.,
Senhorita Krêuris
5. AMORES TRÁGICOS I

DESFECHO PASSIONAL
Sonhei que havia encontrado
O meu verdadeiro amor,
Era uma paixão ardente
Que fazia brotar flor
No meu deserto de mágoas.
Sonhei que o meu amor
Me enviava mil telegramas
Dizendo o quanto me quer,
Dizendo o quanto me ama
Em embalagens de bombons.
Sonhei que eu escrevia versos
Para alegrar a minha amada,
Eu tolo feito criança
Crendo em contos de fadas
Com meus versos abestalhados.
Acordei em um pesadelo
Neste charco que me sufoca.
Vê que o meu sangue se esvai
E aquela minha paixão louca
Foi quem me tirou a vida.
Queria que me revelasses,
Transeunte que me observa,
Se foi o amor demasiado
Que me conduziu às trevas
Ou o amado da minha amada.
(Homero de Linhares / 12.06.09)
Sonhei que havia encontrado
O meu verdadeiro amor,
Era uma paixão ardente
Que fazia brotar flor
No meu deserto de mágoas.
Sonhei que o meu amor
Me enviava mil telegramas
Dizendo o quanto me quer,
Dizendo o quanto me ama
Em embalagens de bombons.
Sonhei que eu escrevia versos
Para alegrar a minha amada,
Eu tolo feito criança
Crendo em contos de fadas
Com meus versos abestalhados.
Acordei em um pesadelo
Neste charco que me sufoca.
Vê que o meu sangue se esvai
E aquela minha paixão louca
Foi quem me tirou a vida.
Queria que me revelasses,
Transeunte que me observa,
Se foi o amor demasiado
Que me conduziu às trevas
Ou o amado da minha amada.
(Homero de Linhares / 12.06.09)
Marcadores:
Desfecho passional.,
Homero de Linhares
6. AMORES TRÁGICOS II
POEMA EXTRAÍDO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL
Eram dois vizinhos que mal se olhavam.
Antes da amizade tornaram-se amantes.
Cotidianamente, sorrateiramente,
Amavam-se cegos, sempre e bastante.
Ela, recalcada; ele, possessivo.
Ela era casada; ele, professor.
O marido, homem calado e decente,
Suspeitoso dos perigos do amor,
Pediu à esposa em ímpar descrição,
Aquela Capitu entregue aos cafezais,
Que Virgília fosse com cara de Amélia,
Messalina seja sem se dar demais.
Depois se diria à boca miúda
Que, além do amante e do zeloso esposo,
Deveria haver um terceiro afeto
A presentear-lhe anéis e mais gozo.
Foi o que disseram testemunhas tantas
Aos policiais quando nefasto Eros
Armou-se de pedras, faca e combustível,
Cansado talvez de ser simples arqueiro.
Implorando um basta àquela vida dupla,
Ela quis findar a traição permitida.
E ele não aceitou ser o descartado.
Se alguém vai ceder, que seja o marido.
Ela, com a mesma dissimulação
Com que convencia o esposo permissivo,
Fez o amante crer que faria o outro
Dar fim ao matrimônio estável e lascivo.
Brindaram com risos e vinho barato
À paixão que agora era amor eterno.
Ele desejoso de levá-la ao céu,
Ela desejando conduzi-lo ao inferno.
E entregou-se toda pela última vez,
Após deu-lhe vinho com lexotan
E ele caiu frágil num canto da sala
E ela gargalhava, fútil cortesã.
Abriu-lhe o crânio com uma pedra aguda
E furou-lhe o peito que há pouco amara,
Alargou-lhe a boca com lâmina cega,
Incendiou o amado sem usar metáforas.
Arrastou o corpo para a noite escura
E a cada gemido do defunto amante
Ela com a faca já ensangüentada
Talhava-lhe o pescoço vociferante:
Eu não te avisei que o desejo acabou?
Por que não me ouviu sem usar artimanha?
Já que você não quer mais sair de mim
Eu extirpei você das minhas entranhas.
E o corpo sepultou numa cova rasa
Feita às pressas naquele cafezal
E ela confessou fria à polícia
Que apenas fora um rito de amor banal.
(David Bellmond / 26.09.08)
Eram dois vizinhos que mal se olhavam.
Antes da amizade tornaram-se amantes.
Cotidianamente, sorrateiramente,
Amavam-se cegos, sempre e bastante.
Ela, recalcada; ele, possessivo.
Ela era casada; ele, professor.
O marido, homem calado e decente,
Suspeitoso dos perigos do amor,
Pediu à esposa em ímpar descrição,
Aquela Capitu entregue aos cafezais,
Que Virgília fosse com cara de Amélia,
Messalina seja sem se dar demais.
Depois se diria à boca miúda
Que, além do amante e do zeloso esposo,
Deveria haver um terceiro afeto
A presentear-lhe anéis e mais gozo.
Foi o que disseram testemunhas tantas
Aos policiais quando nefasto Eros
Armou-se de pedras, faca e combustível,
Cansado talvez de ser simples arqueiro.
Implorando um basta àquela vida dupla,
Ela quis findar a traição permitida.
E ele não aceitou ser o descartado.
Se alguém vai ceder, que seja o marido.
Ela, com a mesma dissimulação
Com que convencia o esposo permissivo,
Fez o amante crer que faria o outro
Dar fim ao matrimônio estável e lascivo.
Brindaram com risos e vinho barato
À paixão que agora era amor eterno.
Ele desejoso de levá-la ao céu,
Ela desejando conduzi-lo ao inferno.
E entregou-se toda pela última vez,
Após deu-lhe vinho com lexotan
E ele caiu frágil num canto da sala
E ela gargalhava, fútil cortesã.
Abriu-lhe o crânio com uma pedra aguda
E furou-lhe o peito que há pouco amara,
Alargou-lhe a boca com lâmina cega,
Incendiou o amado sem usar metáforas.
Arrastou o corpo para a noite escura
E a cada gemido do defunto amante
Ela com a faca já ensangüentada
Talhava-lhe o pescoço vociferante:
Eu não te avisei que o desejo acabou?
Por que não me ouviu sem usar artimanha?
Já que você não quer mais sair de mim
Eu extirpei você das minhas entranhas.
E o corpo sepultou numa cova rasa
Feita às pressas naquele cafezal
E ela confessou fria à polícia
Que apenas fora um rito de amor banal.
(David Bellmond / 26.09.08)
Marcadores:
Carta suicida a um amor perdido.,
David Bellmond
quinta-feira, 11 de junho de 2009
7. AMORES TRÁGICOS III

PEDRINHO BLUES
Numa manhã de chuva
Eu me suicidei
E matei meu amor
Não matei, mas matei.
Se o amor não morreu
Quem morreu fomos nós
E morremos juntinhos.
Felicidade atroz.
Meus amigos não tinham
Uma palavra de paz.
Ela me abandonou,
Não me amava mais.
Eu já não suportava
Tamanha solidão
E me vi tresloucado
Com uma arma na mão.
Matei meu abandono,
Matei quem eu amava.
Nossos corpos velados,
Quanta gente chorava.
Mães, irmãos e amigos,
Parentes desesperados
Chorando sobre os caixões
De amantes desenganados.
Eu sempre fui sereno
E de riso absorto.
Eis-me agora gritando,
Ouçam a voz de um morto:
Se o amor mata a gente
Ou matamos o amor,
Melhor é não amar
E viver só em dor.
(David Bellmond / 07.09.99)
Obs.: Este poema foi escrito há dez, alguns meses após um grande amigo meu provocar uma tragédia (quase no sentido literário) em nome do ciúme que ele acreditava ser amor. Pedro tirou a vida da mulher que ele amava e depois se matou na praia de Camburi, em Vitória - ES, no dia 08 de junho de 1999, alguns dias antes do dia dos namorados. Perdi duas pessoas muito amadas no mesmo dia. Foram-se os dois e ficou o poema.
Numa manhã de chuva
Eu me suicidei
E matei meu amor
Não matei, mas matei.
Se o amor não morreu
Quem morreu fomos nós
E morremos juntinhos.
Felicidade atroz.
Meus amigos não tinham
Uma palavra de paz.
Ela me abandonou,
Não me amava mais.
Eu já não suportava
Tamanha solidão
E me vi tresloucado
Com uma arma na mão.
Matei meu abandono,
Matei quem eu amava.
Nossos corpos velados,
Quanta gente chorava.
Mães, irmãos e amigos,
Parentes desesperados
Chorando sobre os caixões
De amantes desenganados.
Eu sempre fui sereno
E de riso absorto.
Eis-me agora gritando,
Ouçam a voz de um morto:
Se o amor mata a gente
Ou matamos o amor,
Melhor é não amar
E viver só em dor.
(David Bellmond / 07.09.99)
Obs.: Este poema foi escrito há dez, alguns meses após um grande amigo meu provocar uma tragédia (quase no sentido literário) em nome do ciúme que ele acreditava ser amor. Pedro tirou a vida da mulher que ele amava e depois se matou na praia de Camburi, em Vitória - ES, no dia 08 de junho de 1999, alguns dias antes do dia dos namorados. Perdi duas pessoas muito amadas no mesmo dia. Foram-se os dois e ficou o poema.
Marcadores:
David Bellmond.,
Pedrinho Blues.
PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

VALSA PARA GELMA
Quero,
Nesse dia de graça,
Sob o som de uma valsa
Te trazer de presente
Perfumes e sementes
Das flores mais coloridas.
Quero,
Nesse dia de vida,
Te cantar as canções
Que falam da caridade,
Do amor, da bondade
Que há nos corações
Dos Que amam a Jesus.
Quero,
Nesse dia de luz,
Garimpar diamantes
E enfeitar tais brilhantes
Com a luz do teu olhar.
Mas as flores com o tempo
Se desbotam e o perfume
Se evapora no ar;
As valsas e as canções
São esquecidas nos salões
Depois de se dançar.
E as pedras de valor?
Eu não tenho sequer
Um anel de camelô.
Quero,
Nesse dia sem par,
Te prestar homenagens
Com o meu coração.
Se aceitar de bom grado,
Trago em minha bagagem
Toda minha amizade
E meu amor de irmão.
Feliz seria
A cidade
Se pudesse
Nesse dia
Desejar felicidade
À menina dos seus olhos
Que surge em sua poesia,
E diante de tanta beldade
Nem enxergo os horrores
E as muitas atrocidades
Que enfeiam sua cidade,
Mas se hoje toda cidade
Te pudesse levar flores
Feliz seria
E diria
Para sempre feliz idade
E em dobro felicidade.
(David Bellmond / 12. 06. 09)
Quero,
Nesse dia de graça,
Sob o som de uma valsa
Te trazer de presente
Perfumes e sementes
Das flores mais coloridas.
Quero,
Nesse dia de vida,
Te cantar as canções
Que falam da caridade,
Do amor, da bondade
Que há nos corações
Dos Que amam a Jesus.
Quero,
Nesse dia de luz,
Garimpar diamantes
E enfeitar tais brilhantes
Com a luz do teu olhar.
Mas as flores com o tempo
Se desbotam e o perfume
Se evapora no ar;
As valsas e as canções
São esquecidas nos salões
Depois de se dançar.
E as pedras de valor?
Eu não tenho sequer
Um anel de camelô.
Quero,
Nesse dia sem par,
Te prestar homenagens
Com o meu coração.
Se aceitar de bom grado,
Trago em minha bagagem
Toda minha amizade
E meu amor de irmão.
Feliz seria
A cidade
Se pudesse
Nesse dia
Desejar felicidade
À menina dos seus olhos
Que surge em sua poesia,
E diante de tanta beldade
Nem enxergo os horrores
E as muitas atrocidades
Que enfeiam sua cidade,
Mas se hoje toda cidade
Te pudesse levar flores
Feliz seria
E diria
Para sempre feliz idade
E em dobro felicidade.
(David Bellmond / 12. 06. 09)
Assinar:
Postagens (Atom)