SEJA BEM-VINDO!

BEM-VINDO AO MUNDO DA ESCRITA!

EIS AQUI O ESPAÇO VIRTUAL ONDE AS PALAVRAS BUSCAM SE LIBERTAR DO LIMBO.



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CAROS AMIGOS,

A CARA DO BLOG MUDOU, ENTRETANTO A AVENTURA DE ESCREVER CONTINUA VIVA.

ESTAMOS AQUI À ESPERA DE QUE VOCÊS NOS LEIAM E, SE POSSÍVEL, DEIXEM UM COMENTÁRIO.

ABRAÇO FRATERNO.

(HOMERO DE LINHARES)


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AVISO AOS INTERNAUTAS,

A PARTIR DE HOJE, ESTOU AQUI COM HOMERO DE LINHARES, REVEZANDO NA ARTE DA PALAVRA.

GRANDE ABRAÇO.


(DAVID BELLMOND)







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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINA 91)


LUSITÂNIA NA MEDIDA PERFEITA

Caiba na extensão do braço
Do seu laço,
Do compasso,
Do seu abraço,
Meu cansaço.

Caiba esta minha paixão
Na imensidão
Da sua mão,
Insuposição
De distorção.

Caiba minha voz cansada
Na velada
Boca da amada
Que me guarda,
Minha fada.

Caiba toda minha dor
No rumor
Do seu pudor,
Jura de amor
Em esplendor.

Caiba minha boemia
Na heresia
Da poesia
Do dia a dia
De Luzia.

Caiba a noite com insônia
Na infame
Greve de fome,
Que me ame
Lusitânia.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Página 91.)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINAS 92 e 93)


SOBRE O QUE NÃO FOI DITO

NA ANGÚSTIA PASSIONAL


A cidade ostenta sua religiosidade.
Arte barroca e um anjo ao avesso
Prega o amor aos pervertidos.
Eu sou o anjo, Lusitânia.
Sou que te guarneço.
Ao meu lado adormece um lobo
Manipulando minhas teses e todos os sentidos,
Versejando o que não sinto,
Ocultando o que me é sabido
E o alter ego só queria brindar
Ao amor e nada além do afeto feminino
E de tantas delongas o amor foi paulatino.
Foi paulatino o agouro das crenças de menino
E nada restou ao ego que paulatinamente
Devastasse o assombro da selva juvenil.

O anjo perdeu a idiossincrasia no tormento
Quando buscar queria
A mulher dos seus sonhos, o libertamento
Da utopia,
Desconhecendo que a utopia era o avivamento
Da mulher que lhe luzia.







II

A cidade exibe sua crueldade.
Demônios luzidios dissimulam ansiedades,
Paixões esmorecidas, platonismo ao avesso.
Eu sou o demônio, Lusitânia.
Sou eu que te enlouqueço
E um ser subnutrido me desperta com cantos
Do amor que nunca colhi, nunca plantei no entanto.
O poeta só queria ser terno sem ser eterno,
Mas o conduzo apenas às portas do inferno
E o levo à loucura em paulatinas crises,
Paulatinas utopias, efêmeros concretismos
E não são paulatinos os seus dias felizes.
Ora eu e o poeta rumamos ao abismo.

A morte natural, implora o poeta.
O suicídio matinal, observa o demônio.
E enquanto travam lutas o pesadelo e o sonho,
Mais sedenta ainda sucumbe a alma inquieta,
Quase alheia aos monstros, aos anjos, ao próprio dono
E não há alma feminina que lhe acalante o sono.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Páginas 92 e 93.)

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINAS 94 e 95)


CARTA À LUSITÂNIA

Lusitânia, não faça pouco caso
Do amor,
Isso não é lagoa,
É mar.
Não pense que pode
Flutuar
Sobre as águas sem
Ser navegador.

Teria prendido
A lição
Se não tivesse caminhado
Sozinha.
Quem retorna do meio
Do caminho
Amasia-se com
A solidão.

Lusitânia, sou homem crescido
A meu modo,
Aprendi as defesas da infância
E do medo.
Para ser forte me fiz
Aedo.
Fiz do fragmento da palavra
Meu todo.
Minha sombra, mera sobra
Do meu tutor,
Projeta-se sobre toda
Cidade.
Meu corpo minúsculo esconde-se
Atrás da felicidade
De ser o ícone do meu
Próprio andor.

Houve noite em que não contive
O meu lado lobo
Enjaulado em incomum
Lucidez.
Impulsos iracundos cobriram
Minha nudez
Do silêncio e insolente
Verbo ímprobo.

Agrediram-me os símbolos
E os surtos
De falsos mestres, filosofias
De mercado.
Fui primata no sistema
Civilizado,
Mas resisti até o mundo
Adulto.
Os livros pouco me
Ensinaram.
Só me mostraram outros
Homens perversos
E os suicidas fazedores
De versos.

Foram as viagens, Lusitânia,
E os enjôos
De cidades distantes antes
Ignoradas,
Foram as caras diversas
E metamorfoseadas
Que me ensinaram os segredos
Dos vôos
E voar não voei,
Mas naveguei
Até este porto
De onde partem navios
E aedos.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Páginas 94 e 95.)

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINA 96)




CANTO DESENCANTO

São falsas suas tranças de Rapunzel.
Foste insensível aos contos de fada.
O mar não existe, não existe Ulisses,
Não és Penélope e nem teces nada.

Nem espera há no seu quarto poeirento,
É falso o balouçar do seu cabelo ao vento.
Sua ideologia é falsa e contrária
Ao proletariado burguês e à classe operária.

Que sinal guiará seus sonhos se sonhos não existem
Dentro da conformação universal do seu olho nu?
São falsos seus presságios surrealistas,
Ou não são surrealistas, não são presságios, nem são azuis.

Sua rima é imperfeita, sua repetição é mais imperfeita ainda,
Sua mentira fracassada de celebrar a vida
Limita-se ao seu ego, que é pobre, e aos seus móveis,
Obras de um carpinteiro preguiçoso. Seu choro não comove

Nem ao seu cão carrapatento, último companheiro
A lamber sua face e seu tédio derradeiro.
É falsa a paisagem da sua janela aberta.
O dia ainda subsiste, mas a noite é incerta.

A noite se vier será noite sem misticismo ou lua,
Sem luz dos pescadores perdidos em suas balsas
E ao raiar do dia (mais dia, menos dia)
Perceberás madura que até a dor foi falsa.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Página 96.)

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINAS 97 E 98)


RETORNO

Retorna para dentro de mim,
Meu filho,
Que a vida é muito dura.
Nesta minha luta só e só
E só contra o mundo
Um dia aparecerá alguém
Pra me tirar a vida
E você ficará só e só
E só e só lutando contra o mundo.

Retorna para dentro de mim,
Meu filho,
E eu volto para dentro do meu pai.
Sinto que estou me acovardando,
Perto dos meus quarenta anos,
De lutar contra o moinho,
Fraco, nu ao vento, sozinho
E meu cavalo de pau
Não quer mais brincar de guerra.

Retorna para dentro de mim,
Meu filho,
Antes que algo me supere.
Seja a doença, o infortúnio
De um tombo de mau jeito,
Seja esta dor no peito
De amar-me menos do que preciso,
Seja o estado das coisas,
Das leis, das greis, o imprevisto
Me espreita a cada dia.

Retorna para dentro de mim,
Meu filho,
Porque meu pai me deixou só
E eu te deixarei só
E sempre deixaremos só
Alguém pelo giramundo,
Roda vida, vence homens,
Então retornemos todos
Ao nosso colo de origem
E cheguemos a Adão
E de Adão voltemos a Deus.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Páginas 97 e 98.)

LIVRO "VIDA VIDE VERSO" (PÁGINA 99)


ODE AO GUERREIRO TAPROBANO

EM SOLO CAPIXABA

Chorai, bravo guerreiro.
Chorai sem qualquer medo
De que vosso corruptível e vencido inimigo
Atravesse-te o âmago com gargalhada estéril.
Incorporai vossa armadura e montai vosso corcel
E galopai sem rumo entre o horizonte e o céu.
Erguei vosso semblante e chorai dentro do aço
Que torna vosso corpo audaz e inexorável.
Correi, bravo guerreiro, beirando o litoral,
Cavalgando feito anjo saltando sobre as nuvens.
Levai vossa tristeza a outros reinos distantes.
Levai vossos fantasmas e matai-os no deserto.
Sofrei se for preciso. Chorai (o que é mais certo)
Todos vossos lamentos nos ouvidos das flores, das pedras e do vento.
Chorai, bravo guerreiro,
Chorai, mas retornai.
Retorne que a vida
Recomeça na segunda-feira.


(BELLMOND, David. VIDA VIDE VERSO. Editora do autor: Vitória-ES, 1999, Página 99.)