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domingo, 23 de agosto de 2009

RESENHA - TROPA DE ELITE



TROPA DE ELITE - RESENHA

Resenha: é um texto que tem por função descrever algo e apresentar o ponto de vista do resenhador a respeitado do objeto descrito. A descrição feita pode ser de um filme, uma música, um livro, um texto, uma peça de teatro, um quadro ou uma obra de arte de maneira geral. É preciso que apareça na resenha o título do objeto resenhado, o autor, algumas informações sobre o autor ou sobre o objeto e, por fim, a análise que o resenhador faz sobre tal objeto. Eis um exemplo de resenha em que o objeto resenhado é o filme “Tropa de elite”, do diretor José Padilha.


Trapos da Elite


O filme “Tropa de elite”, do diretor José Padilha, conta a história da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Com atuação brilhante de Wagner Moura, o filme mostra uma polícia dividida entre a corrupção e o trabalho apaixonado pela profissão. Na narração do tenente Nascimento, personagem de Wagner Moura, a narrativa descreve o tráfico de drogas da cidade maravilhosa e a ação da polícia no combate ao crime ou corrompendo-se diante de uma sociedade cheia de trapos e sujeira empurrada para baixo do tapete.
Quase todo espectador que vê o desenrolar da história não consegue desviar a atenção, pois “Tropa de elite” não é só um roteiro de pancadaria. Mais que uma narrativa ao estilo policial de Van Damme ou Stallone, o filme mostra uma visão ousada da instituição que deveria nos proteger e nem sempre o faz. Eis a razão que levou os altos oficiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro a moverem vários processos judiciais contra a obra de ficção antes mesmo da sua exibição diante do grande público.
Fugindo à regra dos costumeiros filmes do gênero, o trabalho de José Padilha apresenta vários temas, dentre os quais estão: o jovem de classe média que trafica dentro da universidade ou faculdade enquanto que pratica sua boa ação junto a alguma ONG; a discussão teórica e ingênua acerca da violência nos meios intelectuais, o serviço prestado por uma banda podre da polícia, que cobra pessoalmente seus serviços prestados a comerciantes; a ideologia - forjada a ferro e humilhação - daqueles policiais militares que não se rendem ao charme da marginalidade e não facilitam a vida nem mesmo de policiais corruptos.
“Tropa de elite” futuca a onça com vara curta, mexe na ferida do nosso aleijão brasileiro, ou ainda, como diria o poeta irreverente baiano: para a tropa do trapo vaza a tripa. Eis a grande elite incomodada: uma parte corrompida da sociedade que quer aparentar sempre justiça, força e poder.

(David Batista – Mestre em Estudos Literários pela UFES)